As 5 tendências de Fintech para 2019

Como todos os anos, esta é a época de fazermos as apostas para o que vai acontecer no mercado brasileiro de Fintech no próximo ano. E para o ano de 2019, dada toda a expectativa em relação ao novo governo e suas novas diretrizes econômicas,  o mercado está otimista, como não acontecia há muito tempo.

Nos últimos anos, vínhamos nos valendo da independência dos investimentos em startups em relação aos ciclos econômicos. Os grandes investidores em startups, os Fundos de Venture Capital, buscam oportunidades de negócio em estágios mais iniciais e, nesta fase, o cenário econômico não é necessariamente um fator crítico de sucesso para o negócio.

Por isso, o fluxo de capital continua mesmo em momentos de crise. Porém, não há como negar que um mercado otimista aumenta o ânimo dos investidores e pode alavancar ainda mais a entrada de recursos.Diante deste cenário, seguem minhas 5 apostas:

1- OPEN BANKING

Em 2019 deverá sair a regulamentação de Open Banking no Brasil. Três pontos são fundamentais pra que ela sirva ao propósito de permitir que os usuários usufruam de melhores serviços a partir da utilização dos dados gerados por suas atividades financeiras:

a- abrangência das APIs: elas deverão englobar dados cadastrais e de movimentação financeira, para que startups possam oferecer, de forma mais assertiva e personalizada, seus produtos e serviços ao consumidor final;

b- processo de homologação razoável: o Banco Central do Brasil está acompanhando o que está acontecendo nos países que implementaram Open Banking e tudo indica que vai evitar cometer os mesmos erros; no Reino Unido, por exemplo, o processo de homologação de terceiros estabelecido foi tão exigente, que nenhuma fintech conseguiu ser aprovada em 8 meses de implementação;

c- padronização técnica: na Europa, a regulamentação chamada PSD2 não entrou a fundo na questão técnica da padronização das APIs e isto fez com que as Instituições Financeiras criassem seus próprios padrões e versões, tornando quase inviável para as startups se conectarem com muitos bancos simultaneamente, como era esperado. Da mesma forma, nosso Bacen está atento a este problema e deve criar as normas para que isto não ocorra por aqui.

O fato de estarmos criando nossa regulamentação após outros países, nos coloca numa situação muito favorável de poder aprender com seus erros e nascer com algo que atenda ao seu propósito. Neste sentido, a nova regulamentação vai representar uma grande oportunidade para startups e Instituições Financeiras.

As primeiras, porque poderão oferecer seus produtos e serviços com informações relevantes, tornando suas ofertas muito mais assertivas e personalizadas. E os Bancos, porque poderão auferir receitas não financeiras, a partir da oferta de produtos e serviços nunca oferecidos aos seus clientes.

2- PAGAMENTOS

A nova regulamentação dos “fast payments”, também esperada pelo mercado para 2019, abrirá uma série de oportunidades para players não financeiros, trazendo produtos e serviços mais simples e baratos para o consumidor final. Deveremos entrar na onda do QR Code, que mudou o mercado chinês, onde se tornou um padrão, que reune dois quesitos antes antagônicos: experiência do usuário e segurança da informação. Startups como a VERIDEX, que faz a autenticação do usuário com um clique do celular, melhorando a agilizando a experiência, ao mesmo tempo em que aumenta a segurança da operação, poderão surfar nesta onda e alavancar seu crescimento, mirando inclusive a expansão para outros mercados.

3- CRÉDITO

Em 2019, deveremos ver novos modelos de negócios na área de Crédito. Um exemplo é o segmento de Credit as a Service (CaaS), criado pela  ZEN Finance, fintech que teve crescimento exponencial em menos de um ano de existência.

Scores de crédito baseados em informações positivas, ao invés do modelo tradicional de informações negativas, são uma tendência clara num mundo em que os dados são abundantes. Com as APIs dos bancos, modelos como este devem ganhar força e as startups brasileiras são suficientemente criativas para endereçar as históricas ineficiências do setor de crédito.

4- INVESTIMENTOS

Seguindo a onda do pensamento liberal, que passa a guiar nossa economia, deveremos ver uma maior abertura do nosso mercado ao exterior. Um recente acordo da CVM com o regulador da Argentina permitirá intercâmbio de fundos e clientes entre os dois países.

Fintechs como a AVENUE, que possibilitará que brasileiros invistam no exterior com dois cliques em seu celular, darão acesso a mercados maduros, como o norte-americano. A liberdade econômica deverá ser um tema mais presente no tópico Investimentos.

5- CRIPTOMOEDAS

Após 10 anos de Bitcoin, estamos entrando num novo ciclo, com criptomoedas mais maduras, projetos de blockchain que devem cruzar fronteiras de diversos segmentos econômicos, e a consciência de que estamos diante de uma nova era da Internet, onde os temas centrais são VALORES e CONFIANÇA.

As aplicações das criptomoedas irão muito além do que se imagina hoje e isto abre uma janela de oportunidade para fundos de criptomoedas, como o brasileiro HASHDEX, que tem investidores institucionais internacionais de peso.Em 2019, tudo leva a crer que veremos investidores nacionais e estrangeiros ávidos por investir nas fintechs brasileiras.

O recente investimento da Tencent no NUBANK pode ser visto como uma sinalização de que o mercado de fintech brasileiro definitivamente entrou no radar dos chineses. Isto fortalece ainda mais o segmento e pode tornar o próximo ano um marco na revolução fintech do Brasil.

Fonte: por Guilherme Horn, para o Estadão em 29.12.2018.

2019-01-03T08:43:01+00:00 04/01/2019|Fintech|0 Comentários

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