Duas matérias publicadas no Jornal Valor Econômico, uma em 04 de dezembro, outra do dia 29/11, revelam as práticas monetárias chinesas para avançar com sua moeda no território global.

A matéria de novembro, assinada pelo editor José Roberto Campos, intitulada “O Ouro de Pequim”, não pode deixar de ser lida. Assenta-se em dados coletados por três economistas, Sebastian Horn e Cristoph Trebech, ambos do Instituto Kiel, e Carmen M. Reinhart, da Harvard, sobre a movimentação financeira chinesa ao redor do mundo (China’s overseas lending), apresentado em seminário do FMI, no mês de novembro, como nos lembra o editor executivo do Valor.

As conclusões mais relevantes apontam: (1) o mundo deve à China US$ 5 trilhões ou 6% do PIB global, em créditos e títulos soberanos; (2) se somados todos os tipos de empréstimos, investimentos diretos, aplicações em ações e títulos soberanos, a China possuía cerca de 8% de toda a riqueza do planeta, em 2017. E mais, metade desses financiamentos não são contabilizados pelo bancos centrais e instituições multilaterais e não constam das estatísticas do Banco Mundial e do BIS.

Na matéria de hoje, o Valor da conta de que a China planeja lançar sua criptomoeda soberana (digital renminbi ou e-yuan). Extraída da Nikkei Asia Review a matéria enfatiza que o yuan digital circularia por meio da emissão do banco central para instituições financeiras.Essas instituições seriam responsáveis por fazer com que elas alcancem os indivíduos e as empresas.

Pode-se pensar que as consequências mais imediatas estariam refletidas em alguns pontos centrais: os empréstimos garantidos em muitos casos por commodities, asseguram os suprimentos desejados pelos chineses; o dólar perderia rapidamente sua força como moeda quase exclusiva para as transações internacionais, abrindo espaço para o crescimento do yuan; empresas e consumidores poderão se servir da conveniência e dos custos mais baratos em suas transações nacionais e internacionais.

Temas com esses são discutidos nos cursos internacionais voltados a executivos e empresários realizados na FIA/PROCEB.

Isto faz a diferença.

Por  Celso Cláudio de Hildebrand e Grisi*, através do Linkedin em 04.12.2019

*economista, professor da Faculdade da Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo e Presidente do Conselho de Ética, do Instituto de Ética Saúde.