“Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento” 
Albert Einstein
INDÚSTRIA DA RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS

A Indústria de recuperação de ativos financeiros (créditos inadimplidos), com honrosas exceções, nunca conviveu muito bem com crises econômicas, como esta que estamos vivenciando agora, decorrente de uma crise sanitária mundial.

E os estragos continuam sendo feitos.

Quando indagados, nossos técnicos, principalmente os da área da saúde, em que oportunidade estaremos livres deste surto malévolo, eles, simplesmente, respondem que não sabem e também que ninguém poderá responder a esta pergunta com exatidão. O jeito é conviver com ela, a COVID-19, como foi a pandemia batizada.

O problema é que, principalmente, em matéria econômica, nada é pior do que a INCERTEZA. Não é sem razão que o neurologista Fabrício Pamplona, certa vez, em tom de blague, afirmou: “a INCERTEZA dói mais do que um beliscão”. Entretanto, voltando à Indústria de Recuperação de Créditos, a verdade é que ela só floresce em situações de normalidade econômico-financeira, pois as empresas em dificuldades sempre encontrarão alhures, fontes de recursos monetários, para solver, mediante negociação, o crédito, o qual foram obrigadas a inadimplir.

Seja como for, só as Empresas especializadas em Recuperação de Créditos Inadimplidos têm expertise para oferecer aos devedores condições de negociação imperdíveis, que vão da isenção de correção monetária e de juros, até o abatimento do principal, em percentuais irrecusáveis. A pandemia irá gerar uma dificuldade a mais para as pequenas e médias empresas, sempre carentes de capital de giro e de uma independência financeira.

Como, todavia, iniciamos este breve ensaio com as sábias palavras do astrofísico teórico, Albert Einstein, queremos crer que novos acertos e novas modalidades de negociação irão surgir, com amplitude maior e mais sofisticada no uso da tecnologia, graças à nossa criatividade.

Como, por exemplo, um sistema, com base no tratamento de dados, que dirige ligações telefônicas a um certo devedor, quem, precisamente, em uma determinada hora, não só estava disponível para falar ao telefone, como também disposto a receber uma proposta de acordo.

Bruxaria?  Indagarão os leigos. Não!

Alta tecnologia, com base no que se convencionou chamar de “big data”.

Uma outra atividade que deverá expandir-se será a negociação, totalmente eletrônica, (sem a interferência humana, portanto), como a que já é praticada, com absoluto sucesso, em nossos Tribunais de Justiça, nas mediações “on line” para fazer cessar, imediatamente, processos judiciais, os quais jamais deveriam ter se iniciado.

Se a intervenção humana ainda tiver sendo requerida, é bem provável que os operadores das respectivas empresas de recuperação de crédito, trabalharão, doravante, remotamente, em regime de ” home offices”, sendo criadas, então, oportunidades de trabalho para indivíduos que tenham dificuldades de locomoção, como os cadeirantes, por exemplo: solução, esta que terá, inclusive, um cunho social e humanitário.

O mercado de créditos podres, vulgarmente conhecidos também como “lixo” transformam-se em um “luxo”, quando são objetos de securitização. Um outro mercado, este surgindo com toda a força, mesmo durante o recesso das atividades mercantis, é o MERCADO DE AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS JUDICIAIS, o qual tem crescido enormemente em meio à crise da pandemia.

Estes são créditos e direitos vinculados a ações judiciais.

Empresas e advogados passaram a olhar para este novo segmento como uma alternativa para reforço de seu caixa; mesmo com o risco de terem que fechar contratos, com deságio muito maior do que aquele que poderiam auferir, em uma situação de normalidade.

Mal comparando com os créditos que originam a SECURITIZAÇÃO, não chegam a ser um “lixo”, mas, de qualquer forma, um dia poderão vir a ser um “luxo”, a despeito de serem créditos sujeitos aos azares de uma decisão judicial, sem contar com a morosidade excessiva de uma decisão definitiva, sabe Deus para quando.

Os principais demandantes destes créditos são advogados trabalhistas e Sindicatos, que patrocinam um sem número de partes e, portanto, de créditos oriundos de decisões judiciais, e que querem se ver livres deles.

A operação em causa, poderia se assemelhar também àquela praticada com os PRECATÓRIOS, que encerram créditos contra pessoas de direito público, os quais podem ser, e têm sido negociados amplamente, administrados por autoridades judiciárias.

A verdade é que tudo isto não é tão novo assim, mas sempre que nos deparamos com uma situação à qual não estamos acostumados, temos dificuldade em lidar com ela.

A solução que preconizo é nos aconchegar ao pensamento do Professor Pedro Russo, mestre em capacitação profissional, quem afirma, sem medo de errar, que “na vida não passaremos a usufruir aquilo julgarmos ter merecido, mas, sim, aquilo que soubermos como conquistar.”

Fonte: por Prof. Dr. Luiz Felizardo Barroso – PhD*, para CollBusiness News, em 28.05.2020.

*Presidente da COBRART – Gestão de Ativos; Titular da  Advocacia Felizardo Barroso & Associados.