A Retomada do Crédito e Suas Decorrências

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passou a oferecer financiamentos com taxa fixa para capital de giro desde 24 de abril passado. No fim de abril de 2018, o banco anunciou que também abrirá a possibilidade de as empresas contratarem empréstimos com taxa fixa na Finame, para bens de capital, e estuda ainda estender o mecanismo para outras linhas de financiamento. A taxa fixa surge como alternativa à Taxa de Longo Prazo (TLP), nova referência para os empréstimos do banco, e valerá para micro, pequenas e médias empresas, com faturamento de até R$ 300 milhões por ano.

E não parou por aí: foi lançada uma linha de apoio ao capital de giro que busca atender empresas que não querem ficar expostas a um passivo ligado à inflação financiamento em taxa fixa, o BNDES Giro. A TLP tem uma parcela pré-fixada e outra variável, vinculada à inflação (IPCA). O empréstimo em taxa fixa também serve a empresas que querem ter o máximo de controle sobre as despesas financeiras futuras. Pelas estimativas, operações com prazo de três a cinco anos, vão custar 9,5% ao ano mais o spread do agente financeiro, que é variável dependendo do risco da transação e do perfil do cliente.

Este quadro é mais uma confirmação de a retomada do crescimento econômico finalmente veio para ficar – já que a injeção de recursos pelo BNDES também será fator que contribuirá com este crescimento. O catastrófico período de queda ou de estagnação de 2014 a 2016 com retração de 6,8% do PIB gerou fortes e negativos impactos, sentidos em diversas esferas, em especial no nível de desemprego, gerando cerca de 12 milhões de pessoas nesta situação.

(Imagem publicada em matéria no site Transvias)

A retomada do crescimento econômico pode ser entendida em três momentos distintos:

  1. Passado recente: crescimento para recompor estoques;
  2. Presente: aceleração do nível de investimentos pela redução da alavancagem financeira forçada pela taxa de juros mais baixa;
  3. Futuro: será concretizada quando o reequilíbrio das contas públicas melhorar o nível de confiança do mercado na economia e, assim, melhorar a arrecadação fiscal.

Este quadro traz uma quase unanimidade de que os anos vindouros trarão mudanças radicais na estrutura do mercado.  E mais ainda, uma profunda mudança no perfil dos financiamentos de longo prazo das empresas brasileiras, seguindo o que já acontece há muitos anos em países desenvolvidos, já vêm provocando transformações inéditas e históricas e perenes na economia brasileira.

O mercado de capitais está sendo mais utilizado como fonte de recursos das empresas, subsidiando créditos com taxas menores que as praticadas até então pelos principais players do mercado de crédito, deixando para trás os tradicionais provedores de recursos, bancos privados e públicos. As causas desse movimento são a maior confiabilidade da classe empresarial brasileira, a visualização da importância de se ter uma visão de longo prazo e a retirada de intermediários financeiros das operações. O mercado de crédito privado se processa de maneira direta entre as partes envolvidas, efeitos da forma de pensar das gerações Y e Z.

O resultado de tudo isso é que novas oportunidades de investimento de renda fixa estão surgindo, linhas de financiamento mais acessíveis estão à disposição das empresas.

Os bancos também se movimentam e delineiam estratégicas para recuperar fatias de mercado que perderam nestes últimos tempos.

Fonte:  Prof. Marco Fattibene, mestre em Engenharia de Produção,   para o portal CollBusiness News, em 09.05.2018

2018-05-09T13:28:05+00:0009/05/2018|Crédito&Cobrança|Nenhum Comentário
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