Será que o as empresas realmente podem contribuir para um mundo melhor? – PARTE FINAL

Podemos encontrar amor na relação entre pessoas e empresas?

Estas histórias listadas aqui e muitas outras que estão no livro mostram que sim. Que existe algo maior e mais importante do que a busca frenética pelo lucro. Existe humanidade.

Precisamos de mais dessas narrativas de amor e cuidado. Precisamos de mais Fabios, Guilhermes, Yvons, Anas Lúcias e Safias. Pessoas que empregam suas vidas para criar impacto positivo e ajudar a evoluir na aventura da vida. Precisamos recuperar um pouco o romantismo nos negócios. Precisamos acreditar que há mais na mesa do que dinheiro. Precisamos acreditar que os valores podem ser a força motriz para fazer as pessoas colocarem sua energia em algo maior do que elas. Algo que pode fazer a espécie humana prosperar, evoluir em termos de consciência e em paz com o planeta, nossa casa. Por que isso é tão difícil?

Tem a ver com o egoísmo?

Melhor esquecer a frase famosa de Milton Friedman: “O negócio dos negócios é o negócio”. Isso é tão ultrapassado e está na base do caminho que construímos nos últimos anos, levando-nos a um lugar onde o próprio negócio é o totem, a deidade a ser adorada.

Não!

O capitalismo selvagem é a manifestação do egoísmo. Porém, nosso caminho de evolução é para sairmos do egoísmo em direção ao altruísmo. Empresas como Natura, WholeFoods, Patagonia, PeopleTree, ONGs como o Instituto Alana e Doutores da Alegria, e movimentos como Capitalismo Consciente e Empresas B estão mostrando que isso é possível.

Para colocar ainda outra camada, há um despertar espiritual no mundo e isso está se refletindo nas empresas. Não se trata de religião no local de trabalho, trata-se da necessidade de se reconciliar com o aspecto humano das empresas. E da conexão com o planeta, a fonte de tudo que temos, um imenso organismo vivo. É o propósito de gerar benefícios com o trabalho diário. Com todas as suas fragilidades, vulnerabilidades e belezas.

O problema não é o dinheiro ou o capitalismo, mas sim o que é feito dele. Como Ken Wilber, o pensador que criou a teoria integral, disse: “Tornar-se menos apegado ao dinheiro não significa simplesmente ter menos dinheiro: menos apego não significa não tocar. Significa graciosamente tocar e não apertar até a morte. Significa tocar com as mãos abertas, não significa cortar as mãos.”

Colocando em outras palavras, mais do que ter coisas ou posses, um ponto de atenção é o de não ser dominado por estas coisas, dedicando vidas para alimentar sonhos de consumo, como uma televisão ou um carro maior.

Obviamente que não se trata de ser contra o capitalismo, mas está claro que precisamos de um ajuste fino. Agora. E precisamos também valorizar pessoas conectadas com valores de cuidados com o todo, que estão criando novas referências e resgatando o elo perdido do motivo original da existência de empresas. São líderes que ajudam a humanidade a evoluir e prosperar de forma mais inclusiva para todos. Já não precisamos mais valorizar pessoas desconectadas com o todo, pensando apenas em como ser maior empresa do mundo (para que mesmo?) no seu próximo bônus ou em como parecer atraente em capa de revistas de negócios.

Pessoas que “chegaram lá” apenas porque geram resultados para os acionistas. Que pobreza… Isso está tornando nosso mundo mais miserável, explorando os recursos naturais a um nível de exaustão e alimentando vidas sofridas.

Por isso precisamos mais do que nunca colocar as luzes no trabalho destes líderes transformadores. E fazer isso enquanto refletimos sobre como estamos usando nossa energia, dinheiro e tempo que temos neste lindo planeta. É apenas para acumular bens materiais ou é para ter uma boa e significativa viagem, procurando, como diria Don Marcelo, felicidade e liberdade?

* * * FIM DA PARTE VI * * *

Fonte: por Rodrigo Vieira Cunha* em 28.07.2018.

Parte I: Será que o as empresas realmente podem contribuir para um mundo melhor?

Parte II: O Ponto de Partida

Parte III: Onde há luz, há sombra

Parte IV: As Falhas do Capitalismo

Parte V: Depois da noite escura, sempre vem o amanhecer

Integra do artigo: http://bit.ly/empresasparaummundomelhor

*Estuda movimentos contemporâneos de evolução da humanidade para interpretar e compartilhar 
conteúdos em diferentesformas: palestras, textos, apresentações, artigos e conversas.
É embaixador-sênior do TED no Brasil e sócio das agências de comunicação LiveAD e ProfilePR.
Também organiza retiros sobre desenvolvimento de consciência com líderes de diversos países.
Está escrevendo o livro "Humanos de Negócios!.
Está organizando o "Flow" – um festival para trazer ferramentas
e aumentar o nível de consciência das nossas relações.

Um convite: vem conhecer o Humanos de Negócios

Humanos de Negócios é um projeto que conta histórias de homens e mulheres dedicados a transformar o mundo dos negócios em um lugar mais consciente e inspirador.

Somos diariamente impactados por marcas, peças publicitárias e estímulos relativos ao consumo de todos os tipos. Empresas fazem parte de nossas vidas de uma maneira altamente relevante, mas raramente paramos para fazer esta reflexão: Qual o propósito de uma empresa existir?

As empresas nasceram para atender necessidades das pessoas. Inúmeros tipos de produtos foram criados e evoluíram ao longo do tempo, transformando a vida humana: calçados, roupas, armas, casas, móveis, alimentos, aparelhos eletrônicos, entre milhares de coisas.

A revolução industrial e o aumento da produtividade aceleraram este processo, impulsionando o consumo e gerando uma escalada nos lucros. Este movimento gerou bastante prosperidade, mas também uma série de crises que estão bastante presentes no planeta hoje: financeira, ambiental, social, política e de relações.

Em busca de ganhos pessoais, uma parte importante dos profissionais do mercado de trabalho aprendeu que o mais importante é gerar valor para acionistas, sem refletir sobre os impactos desta obsessão. As consequências: altas taxas de doenças mentais, vícios, crescentes taxas de suicídio e assassinatos. O nosso modelo de crescimento e de desenvolvimento virou um problema coletivo.

Precisamos de novas referências de lideranças que possam resgatar o espírito original de fazer negócios — atender necessidades reais por meio de relações saudáveis.

Esse é o nosso propósito. Vem visitar o site pra saber mais sobre a gente.

2018-08-07T15:19:12-03:0009/08/2018|Sustentabilidade|Nenhum Comentário
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