As Aventuras no Crédito

O mundo das FinTechs e Startups têm transformado o mercado – todo mérito aos novos empreendedores e suas revolucionárias ideias e à tecnologia disponível que torna acessível o contato direto com os consumidores e clientes, promovendo uma rica possiblidade de atuação direcionada a perfis específicos de seres humanos!

A conexão direta amplia as possibilidades de relacionamentos e de negócios portanto, antes abreviados pelas capacidades dos intermediários.

Mas meu foco aqui é outro: para a grande maioria dessas iniciativas a questão crucial que mais cedo ou mais tarde surge é sobre o como “ alavancar o negócio de maneira massificada”. Invariavelmente todos chegam à conclusão de que esta “alavancagem/ crescimento/ ampliação do negócio” depende de uma relação de confiança entre as partes. E aqui se inicia uma outra aventura que nem sempre foi visualizada com toda a atenção que merece no momento de se criar o negócio em si.

Então uma simples “solução” surge: Crédito. Dependemos do crédito para crescer e alcançar os resultados financeiros, ou de conquista, de mercado que tanto desejamos!

Cabe uma ressalva: aqui não faço nenhuma diferenciação entre negócios só focados no impacto social ou só focados no impacto financeiro – serve para ambos – quem me conhece sabe que acredito que a melhor solução está na junção mais que saudável e possível – absolutamente necessária dos 2 focos! Não posso deixar de dizer, no entanto, que, naturalmente, os negócios de impacto social, tem maior disposição para olhar mais detalhadamente para a relação humana com o cliente na ponta – e isso ajuda e muito a conexão de confiança –  se não pecar no cuidado dos indicadores e aspectos financeiros que regem a saúde da relação.

Voltando ao Crédito – não é um negócio que se aprende no livro ou que se importa de fora ( onde já deu certo e nos tornamos “experts” – nem que seja do 1º mundo!!!). Porque simplesmente não é um adendo ao business, não é um viabilizador ou um mal necessário. Mesmo para negócios cujo “core business” é o crédito, me deparo sempre com modelos de crédito ainda míopes, pior ainda para aqueles que o crédito é criado “simplesmente” para “monetizar” seu negócio principal.

Não é a toa que a maior parte dos negócios de Crédito ainda sofrem por ignorar este contexto ou até já despencam frustrados desta aventura. Aqui um orgulho de 16 anos de GoOn – nossos clientes vão muito bem – obrigado. Tendemos a ter este cuidado a que irei me referir a partir de agora, até porque nosso Propósito é exatamente este, olhar para o Crédito de forma direta, não como um conceito, mas como parte de uma complexa relação entre seres humanos.

Crédito é uma cultura viva do negócio! E se aprende a construí-lo por experiência própria, a partir de um propósito claro e definido. Não é uma solução ou um produto, muito menos uma ferramenta – não se resume nas políticas de processos do já tão conhecido ciclo do crédito, muito menos se terceiriza simplesmente a uma área ou um parceiro. Crédito não é somente Analytics, Workflows, Peer to Peer, Omnichannel, Social Networks, etc. É tudo isso e muito mais – o mundo hoje é cada dia mais experiencial – tudo surge quebrando paradigmas e trazendo novas possibilidades, porque insistimos em restringir o conceito do Crédito?

Crédito é um mundo de decisões e inquietações constantes que surgem sempre a partir do Propósito “Humano” do Negócio. Propósito “Humano”? Por que? Existe outro tipo? Not really!

Podemos até ignorar que tudo surge e gira em torno das necessidades humanas, mas acabaremos por perceber isso cedo ou tarde. Com um olhar minimalista para estes importantes temas, poderemos construir negócios “auto-limitantes“ fadados a não realizar as metas esperadas e sonhadas no início de sua concepção. É fato que muitos negócios de outros tempos sobreviveram a certas “ignorâncias” ( no sentido de “ignorar”), mas o mundo mudou e o conhecimento e os impactos gerados estão aí na nossa cara, não podemos mais simplesmente não querer ver!

Ser eficiente no Crédito é respirar o tema no dia a dia, é criar um ecossistema de confiança dentro e fora do negócio – em todas as áreas, é executar com clareza para observar resultados sem cair nas infinitas crenças sobre o que deu certo e o que não deu. E sim: testar, observar evidências, errar e testar – again and again – para que as decisões sejam sempre questionadas e possam assim evoluir em direção às metas e objetivos determinados (de novo, a partir de um propósito).

Comece simplesmente observando algo que parece bem simples, (embora trabalhoso) e não menospreze, nem se assuste:

  1. Qual o Propósito do Crédito para seu negócio?
  2. A quem ele atende?
  3. Como as pessoas reagem a ele ( dentro e fora)?
  4. Qual a relação de todas as áreas ( Crédito – Vendas – MKT – Comunicação – Tecnologia – Financeiro – RH…etc) com o propósito do Crédito?
  5. Como as decisões de confiar ou não um valor financeiro a um cliente são tomadas no dia a dia? Como são estudadas as evidências pelo caminho?
  6. Que novas perguntas podemos fazer?
  7. Como reinventar os processos não somente com o olhar tecnológico?
  8. Como observar as novas tendências de relações humanas para criarmos novas políticas de relacionamento/gestão dentro e fora da empresa?
  9. Como nos aprofundarmos no entendimento do ser humano e suas necessidades ( e as respectivas interpretações das mesmas pelas crenças e culturas)?
  10. Como utilizarmos de ferramentas avançadas de Mindfulness para estabelecermos um novo potencial de criatividade e consciência no dia a dia?

Provocações como essas irão transformar seu negócio ou sua carreira e contribuir para que uma aventura baseada em medo e escassez possa ressurgir a partir do seu propósito, com ousadia e confiança para a execução consciente das decisões do dia a dia.

Boa aventura, com confiança!

Fernando Manfio

Fonte:  publicado originalmente em 08.07.2018 no blog Tabelando com Tambellini.

 

2018-08-07T15:49:12+00:0012/07/2018|Crédito&Cobrança|Nenhum Comentário
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