Auxílio Emergencial

Há quem diga que é um mísero dinheiro, e há quem pule de alegria quando recebe a informação de que foi aprovado para recebê-lo. Uns já fazem planos para os seiscentos reais; outros reclamam que não dá para fazer nada com ele, mas o engraçado é que não abrem mão do auxílio emergencial, embora achem que seja mísero.

Mesmo diante de muitas dificuldades, e nas vivências para sobreviverem, entre a população de baixa renda existem pessoas que o utilizam de formas diversas. Existem as visionárias, que se arriscam com o pouco recebido, buscando multiplicar o auxílio emergencial, utilizando-o para pagamentos de contas ou compras dos alimentos de cada dia. Outras, ao receberem os seiscentos reais, mesmo achando que é pouco, desfrutam com a vaidade que o mundo oferece, esta sim é cara, porque percebe-se a desigualdade do ser com o ter. Como assim? Observem só.

Rita, muito alegre porque foi aprovada no sistema e vai receber os seiscentos reais, já faz mil planos para multiplicar esta renda, pensando nas compras (arroz, feijão, ovo, sardinha, frango, temperos, gás...), como também em pagar as contas que não deixam de chegar (água, luz, aluguel, telefone). Com isso, Rita se reúne com a Associação de Bairro e junto com outras amigas, resolvem fabricar bolos caseiros para venderem, através de apps e entregas delivery. A oportunidade que faltava chegou na hora certa para muitas que não sabiam como iriam se manter durante a quarentena, já que tinham como fonte de renda o trabalho de diaristas.

Em outro exemplo, Roberta, filha de um vendedor de picolés, reclama porque vai ganhar seiscentos reais e quer muito comprar aquele celular de último lançamento, mas enxerga como mísero o valor, porque o auxílio emergencial não é o suficiente para adquirir o aparelho de celular tão sonhado.

Diante das duas situações, ambas de famílias de baixa renda, podemos concluir que as duas têm um relacionamento diferenciado com o dinheiro.

Rita, busca um modo de manter suas despesas com a receita que vem chegando e o delivery de bolos é uma luz para as compras de casa e das contas a pagar. Muito alegre reúne as amigas pois acredita na multiplicação e distribuição de renda para todos.

Roberta apenas pensa em comprar o celular, não lembrando das despesas que o mesmo trará: créditos para acesso aos apps, ligações, internet e a energia elétrica. Sim porque o celular precisa ser recarregado sempre, já que Roberta não pode ficar fora de área, pois é muito comunicativa e participativa com os amigos da comunidade.

De acordo com os casos acima, e  estudando o comportamento e relacionamento dos indivíduos com suas finanças, percebe-se que a educação financeira precisa ser ensinada não somente como números, mas também como uma forma de relacionamento, de maneira que estes indivíduos possam administrar as emoções que os impulsionam às compras, buscando corrigir esse tipo de impulso, melhorando cada dia mais a sua saúde financeira para que esta possa proporcionar-lhes a qualidade de vida que tanto almejam, adquirindo produtos de qualidade, realizando viagens memoráveis com a família, que deve sempre ser envolvida nesse processo para que todos tenham uma vida feliz e sigam prosperando juntos.

Fonte: por Cláudia Regina dos Santos* para CollBusiness News em 07.07.2020

*Administradora e Educadora Financeira em Teresina (PI)