Cobrança Criativa

Segundo o dicionário Aurélio On-line, Criatividade é:

  1. Capacidade de criar, de inventar;
  2. Qualidade de quem tem ideias originais, de quem é criativo;
  3. Capacidade que o falante de uma língua tem de criar novos enunciados sem que os tenha ouvido ou dito anteriormente.

Excluindo-se o terceiro significado, que pode estar associado aos “enroladores” –embora os repentistas dêem shows de conhecimento da linguagem popular e de capacidade de improvisação- , avaliemos os dois outros dois significados segundo um ponto de vista da Cobrança.

Habilidade de criar e de inventar… A Cobrança pode (e creio, é bem recomendável que seja) interpretada como um serviço, que agrega valor tanto aos credores, como às pessoas e empresas que se encontram com algum nível de atraso com seus compromissos financeiros.

Desta forma, como qualquer outro serviço, o cliente aprecia ser surpreendido com uma atenção especial, e pode perceber que a empresa credora e, eventualmente a empresa de cobrança que está encarregada de operacionalizar a cobrança, estão genuinamente empenhados em facilitar as suas vidas em saldarem seus compromissos.

Sejamos genuínos: boa parte das pessoas e instituições encara a cobrança como algo sisudo, pesado, que está associado a momentos difíceis enfrentados por parte de quem ainda não está em dia com seus débitos.

Se faz necessário empreender uma revolução de paradigmas: em um cotidiano repleto de oportunidades, de desafios e de contratempos, é bastante provável que uma grande parte dos indivíduos e de organizações possam enfrentar crises de liquidez ou até mesmo por vales econômicos, onde as atividades que desempenham deixam de agregar valor que justifique uma remuneração adequada por elas.

Então, que tal nos engajarmos mais uma vez na arte de surpreender nossos clientes com serviços que agreguem mais valor e que ainda tragam uma experiência agradável?

Em 2016 a população em idade ativa do Brasil era de cerca de 113 milhões de pessoas; entretanto, somente 64 milhões destas tinham emprego formal. Assim, cerca de 50 milhões de brasileiros, estavam sem emprego (intencionalmente ou não) ou possuíam algum tipo de atividade informal.

Estimativas não oficiais apontam que cerca de 2/3 destes, ou seja, 33 milhões de pessoas tem fontes de renda não oficialmente registradas. Este percentual tem mostrado sinais de que cresce consistentemente, conforme o gráfico apresentado a seguir.

O meu universo de conhecimento sobre como o efetivo retrato do Setor de Cobrança de Dívidas é limitado; entretanto, a percepção é de que em geral, as políticas, processos e sistemas ainda careçam de flexibilidade. Por exemplo, dado o quadro da informalidade, pode-se imaginar que a renda destes indivíduos apresente elevada variabilidade.

Sendo assim, por que não criar um “Acordo Super Flex”? Nele, por exemplo, o cliente formalizaria sua intenção de fazer pelo menos “n” pagamentos de ao menos “R$ X” no período de “D” dias. Mas e a estimativa da PDD? Com certeza os técnicos podem se encarregar de lidar com este aspecto que, com certeza, é importante, mas não deve preponderar sobre o propósito de recuperação dos ativos.

Bem, sobre este outro assunto, conto com a paciência e com a tolerância do leitor. Está oficialmente criado o Sistema de Amortização Decrescente, o SAD. Nele, as parcelas do acordo sobem, sinalizando à pessoa (ou empresa) em situação de dívida a boa expectativa do credor em que sua renda deva se recuperar. Será que um voto de confiança não criaria um laço emocional, de tal sorte que, mesmo que houver quebra de acordo por algum motivo, no futuro alguma parte deste público dê prioridade àquele credor que demonstrou uma boa expectativa tão logo recupere sua liquidez?

Outras fórmulas foram tentadas no passado e não “vingaram”. Por que não tentar de novo com uma nova filosofia e uma embalagem renovada?

  • O “Jubileu”: nos tempos do Velho Testamento o povo era instruído a perdoar dívidas. Um grande varejista nacional costumava criar campanhas: selecionava alguns contratos segundo critério de valor, tempo como cliente ativo e tempo como inadimplente; convidava o cliente a ir até a loja na expectativa de que este cliente voltasse a consumir.
  • Cobrança Pessoal: algumas pessoas têm bastante dificuldade com os atuais instrumentos via Web ou mesmo em URAs. Por que não oferecer este serviço para idosos em locais específicos? Quem sabe um “Feirão Móvel” com condições especiais?
  • Bens e direitos como pagamento: será que não poderia haver um processo de exceção em que o credor ajudasse o devedor a negociar bens e direitos com a promessa de quitar a dívida, parcial ou integralmente?

Certamente este texto mencionou a ponta de um “iceberg do bem” e que o leitor tenha outras idéias que valham à pena colocar em prática, ao menos no formato de teste. O importante é que nos lembremos de que “há muito mais conexões entre os neurônios do hemisfério esquerdo com o hemisfério direito do que sonha nossa vã filosofia”.

Pensar e imaginar não custam sequer um centavo…

Fonte: por prof. Marcos Fattibene, para CollBusiness News em 26.12.2018

2018-12-27T08:26:46+00:0026/12/2018|Crédito&Cobrança|Nenhum Comentário
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