Como anda a inadimplência as vésperas da eleição presidencial?

Como o mercado vem percebendo os 63 milhões de inadimplentes que ouvimos falar a toda a hora…

É triste afirmar, mas é fato, vivemos a maior crise do Brasil República. Dizem até que na verdade nem sequer somos uma república, mas sim ainda uma monarquia onde Reis ainda tem seus domínios regionais e proliferam seus herdeiros visando manter o poder em família.

A atual crise não tem apenas um cunho econômico, político ou social, ela engloba uma série de fatores que em conjunto se transforma na pior crise que um país pode viver. A crise de CONFIANÇA.

Junta-se a crise um cenário eleitoral incerto, com candidatos incertos e com o dólar dando sinais de constante crescimento. A instabilidade bate diariamente a nossas portas.

E como o mercado de crédito vem reagindo a tudo isso? Como estão se comportando os principais indicadores de crédito e inadimplência.

Para o nosso negócio CRÉDITO é sinônimo de CONFIANÇA, e por isso é importante acompanhar com atenção estes indicadores.

O Brasil, por mais que ainda engatinhe no crédito, com uma relação de Crédito X PIB de 46,4% em julho de 2018; possui uma diversidade de produtos interessantes. Porém para termos um acompanhamento padronizado por produto ainda ficamos muito limitados ao Banco Central. A GoOn possui um produto chamado Risk Trends que simplesmente traz as visões dos principais indicadores do Banco Central de forma simples, amigável e em gráficos. Caso queira conhecer melhor, acesse gratuitamente: 

https://public.tableau.com/profile/risktrends#!/vizhome/RiskTrends/RiskTrends

Vamos então fazer um resumo atual de como o mercado vem se comportando:

Tudo começa pelo crédito. No gráfico abaixo podemos perceber as duas carteiras de crédito. Em rosa a carteira de recursos livres de Pessoa Física e em azul, recursos livres para Pessoas Jurídicas.

Obs.: Recursos livres representam empréstimos com juros livre praticados pela iniciativa privada.

Percebemos que a partir de Jan/16 o crescimento das duas carteiras sofre uma retração. A de Pessoa Física, passa a andar de lado até meados de out/17 quando volta a crescer. Já a de PJ sofreu um pouco mais ocorrendo uma queda não observada pelo menos nos últimos 10 anos, voltado a crescer no início de 2018.

Já nos recursos direcionados, ou seja, recursos com incentivo do governo como crédito imobiliário por exemplo, tiveram comportamentos bem diferentes:

Enquanto o direcionado a pessoa física teve apenas um pequeno ajuste na linha de seu crescimento (gráfico em azul), os recursos direcionados mostram uma queda considerável a partir do impeachment do Presidente Dilma. O grande impacto percebido nas pessoas jurídicas foi na linha voltada ao BNDES, a qual despencou neste período.

Importante a visão geral, mas falando da linha de crédito massificado podemos dizer que ele é representado pelo crédito não direcionado de PF, e vemos uma retomada no crescimento da carteira o que pode nos dar o alento que que o mercado ir aos poucos retomando a confiança.

E a temida inadimplência? Os 63 milhões cada dia mais comentados.

Acredito que todos saibam que esta informação vem dos bureaus de crédito. Os bureaus então possuem em sua base registros de negativação de todos seus clientes, desde Bancos e financeiras (que são obrigados a informar seus números mensalmente ao BACEN) como outros clientes entre empresas de telefonia, utilities, TV a cabo e o grande varejo não ligado a instituições financeiras.

Sendo assim, quando olhamos os números do BACEN, estamos limitados as instituições bancárias e financeiras. Independente de não existir uma visão do todo, este mercado é super representativo e podemos sem dúvida tomá-lo por base em qualquer análise.

Vejamos abaixo a inadimplência dos principais produtos voltados a PF recursos livres:

Nosso vilão e campeão de inadimplência é o Cheque Especial. Será que existe alguma relação inadimplência e taxa de juros? Sem dúvida o juros é fator relevante da inadimplência. 303,2% a.a. foram os juros do cheque especial apurado em jul. /18. A inadimplência já foi pior? Sim, atingiu seu pico em Dez/15.

O segundo produto no ranking da inadimplência é o carnê. Carnê este emitido por varejos que já possuem financeiras próprias e, portanto, divulgam no BACEN. Da mesma forma, a inadimplência histórica foi em jun./17.

Em terceiro lugar aparece o cartão de crédito, com inadimplência em queda desde abr./17 tendo atingido seu pico em Set/11.

Enfim, não é o fim dos tempos. Já tivemos momentos piores. É fato que o crédito hoje é bem mais acessível e isso faz com que cada vez mais ingressem novos clientes carentes por crédito e ainda mais carentes de educação financeira.

E principalmente é importante entender a maturidade que o mercado financeiro adquiriu a longo do tempo, é difícil encontrar hoje uma instituição financeira sem uma área madura de gestão de risco sem modelos de score e sem uma equipe bem direcionada a gestões de riscos. Diferente de algumas empresas de varejo ou Telecom que ainda tratam do crédito com aquela visão caseira, que ainda estão focados em colocar clientes para dentro sem uma segmentação adequada do risco.

Com isso podemos explicar melhor o “stress” dos 63 milhões de inadimplentes (recorde) e o mercado financeiro que demonstra um período de melhores resultados.

Enfim, é difícil prever a cena dos próximos capítulos, é certo dizer, porém que o show deve continuar. É hora de revisarmos nossos processos, perguntarmos qual é o propósito de nosso produto? Porque damos crédito? O que queremos atingir?

Como já disse é hora de rever nosso apetite capitalista e buscar entender como podemos ser melhor percebidos pelos nossos clientes e fideliza-los a cada dia.

Um grande abraço.

Eduardo Tambellini

Fonte: publicado em 01.09.2018 no blog “Tabelando com Tambellini“.  Leia a integra do artigo no blog.

*As imagens deste artigo foram escolha do autor e são de sua responsabilidade

2018-09-05T10:32:20+00:0004/09/2018|Crédito&Cobrança|Nenhum Comentário
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