Será que o as empresas realmente podem contribuir para um mundo melhor? – PARTE IV

As falhas do Capitalismo.

No vídeo de “The School of Life” sobre “Capitalismo” , há uma reflexão importante. Apesar de ser incrivelmente produtivo, o sistema capitalista tem duas grandes falhas:

  1. Ele sistematicamente se inclina a ignorar o sofrimento dos trabalhadores, a menos que seja regularmente incitado a não fazê-lo.
  2. A riqueza das empresas é muitas vezes construída para satisfazer coisas que não são necessidades essenciais dos seres humanos.

Sofrimento de um lado para atender desejos supérfluos do outro. É uma conta que não fecha, que alimenta uma espécie de roda de hamster. Os trabalhadores estão presas nelas, correndo de um lado para o outro.  Pessoas “bem-sucedidas” não raro tomam antidepressivos, depois de criar sua própria doença regada a estresse e então procuram maneiras caras de curá-la, como viajar para lugares remotos para se reconectarem.

Estes são os tempos sombrios das corporações, a face mais conhecida do capitalismo. Como nós olhamos para os tempos medievais e vemos a Igreja criando todos os meios para manter seu poder, as corporações estão fazendo o mesmo hoje. Muitos casos de corrupção, suborno, más práticas.

Em 2004, escrevi para a ONG Endeavor um livro sobre empreendedorismo no Brasil: “Como fazer uma empresa dar certo em um país incerto“. Falei com 25 dos empresários mais bem sucedidos do país, além de 26 empreendedores apoiados pela ONG (apenas uma mulher entre os 51 entrevistados). Coloquei a mesma pergunta ao final de cada entrevista: do que você mais se arrepende? Uma grande parte das pessoas entrevistadas disse — lamentando com voz grave — que sentia falta de terem visto seus filhos crescerem.

A definição de sucesso que vemos nas revistas, jornais e TVs é de líderes que trabalham muito, que dedicam suas vidas às corporações despersonalizadas, girando a roda do capitalismo. E estes líderes estereotipados, com agenda extremamente ocupada, pressionados por resultados e por status, vivendo uma existência despersonalizada com sobrenome de empresa (“João, da empresa tal”), estão trabalhando para criar as armadilhas em que nos enfiamos.

Nós nos tornamos escravos da capital. Agindo como fantoches entregando melhores resultados trimestrais, trabalhadores viraram robôs. Viramos robôs sem senso crítico, sem perceber que nossa vida está se esvaindo em uma esperança de acumulação que nunca vai se concretizar. “O verdadeiro pensar exige independência. Poder e dinheiro – por mais paradoxal que possa soar – são apenas limitações dessa liberdade”, disse o filósofo Baruch Spinoza.

Há poucos anos, Jonathan Franzen capturou este dilema contemporâneo na frase de um personagem do livro Pureza: ”Ele estava tão hipnotizado por privilégios e autoestima que não percebeu que era apenas o instrumento de outra pessoa”.

 * * * FIM DA PARTE IV * * *

Fonte: por Rodrigo Vieira Cunha* em 28.07.2018.

Parte I: Será que o as empresas realmente podem contribuir para um mundo melhor?

Parte II: O Ponto de Partida

Parte III: Onde há luz, há sombra

Integra do artigo: http://bit.ly/empresasparaummundomelhor

*Estuda movimentos contemporâneos de evolução da humanidade para interpretar e compartilhar conteúdos 
em diferentesformas: palestras, textos, apresentações, artigos e conversas. 
É embaixador-sênior do TED no Brasil e sócio das agências de comunicação LiveAD e ProfilePR. 
Também organiza retiros sobre desenvolvimento de consciência com líderes de diversos países. 
Está escrevendo o livro "Humanos de Negócios!.
Está organizando o "Flow" – um festival para trazer ferramentas 
e aumentar o nível de consciência das nossas relações.

 

2018-08-07T15:20:23-03:0007/08/2018|Sustentabilidade|Nenhum Comentário
Translate »