Inadimplentes batem recorde e lançam alerta sobre economia

economia estagnada

O número de brasileiros inadimplentes atingiu recorde histórico em abril, mais um desafio que o presidente Jair Bolsonaro encara nos primeiros meses do seu governo, na esteira de uma economia estagnada com alto desemprego e crescente tensão política.

De acordo com estudo da Serasa Experian, o número de consumidores inadimplentes no país chegou a 63,2 milhões em abril, representando 40,4% da população adulta no Brasil com dívidas atrasadas ou negativados. Na base anual, o número aumentou em 2 milhões de pessoas, alta de 3,2%. Na base mensal, a alta foi de 0,4%.

“Além dos impactos gerados pela insuficiência da educação financeira do brasileiro, a inadimplência é uma variável que segue as principais tendências do cenário econômico nacional. Neste sentido, com a estagnação da economia, aumento do desemprego e da inflação ao longo dos primeiros meses de 2019, que impactam diretamente o orçamento doméstico, continuamos a bater recordes no número de consumidores com contas em atraso”, disse em comunicado Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.

Dos sinais de alta na inadimplência que a Serasa destacou no relatório de abril, é preocupante o crescimento das dívidas em atraso com bancos e cartões. O segmento teve o maior número de dívidas vencidas e não pagas no mês, ganhando mais peso na amostra total, demonstrando a dificuldade das famílias brasileiras em honrar pagamentos prioritários. A piora na situação econômica, que começou em julho do ano passado, já começa a impactar os índices de popularidade de Bolsonaro que, em recente pesquisa XP Investimentos-Ipespe, viu uma maior parte da população culpá-lo diretamente pela lentidão da retomada.

Para os bancos, a alta pode também sinalizar que os esforços de refinanciamento de dívidas pessoais feitos com maior intensidade desde 2016 podem estar perto do esgotamento. Segundo a Serasa, muitos consumidores tomaram crédito para quitar outras dívidas e “chegaram no ponto de não conseguirem pagar nem estes empréstimos. Se mantido ao longo dos próximos meses, este movimento pode fazer com que o spread bancário aumente, deixando os juros ainda mais caros para o consumidor”.

A alta da inadimplência do consumidor na base mensal refletiu demoras em honrar dívidas de serviços de água, energia elétrica, gás e telefonia. Varejo e serviços apresentaram queda na comparação anual, indicando que a oferta de crédito nestes segmentos pode estar encolhendo, diz a Serasa. O índice financeiro da B3, conhecido como IFNC e que agrupa as ações de bancos e companhias financeiras não-bancárias, avançava 0,97% às 10h30.

Fonte:  por TC News, em 06.06.2019

2019-06-23T19:19:33-03:0025/06/2019|Crédito&Cobrança|Nenhum Comentário
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