Fechamos o primeiro trimestre de 2021, um ano onde percebemos mais uma continuação dos principais aspetos que dominaram 2020. Para este report, vamos começar a tratar de um assunto que antes deixávamos para o final. A inadimplência!

E porque começamos a falar logo de inadimplência? Mencionávamos nos artigos anteriores que o grande fator a ser observado no decorrer de 2021 seria o comportamento da inadimplência, comportamento frente a um cenário de alto desemprego, comércio fechado e período de paralização no pagamento do auxílio emergencial.

Finalizado o 1º trimestre, apresentamos, a seguir, uma avaliação que mostre o comportamento dos principais produtos de crédito que mais influenciam a carteira de crédito de pessoas físicas e de jurídicas com algumas relações entre carteira e inadimplência.

Vamos aos números:

Vejamos que a carteira de crédito de pessoas físicas em março de 2021 fechou com crescimento de 11,12% em relação a 2020 e praticamente andou de lado em relação a fevereiro. Enquanto isso, a inadimplência cresceu pouco em relação a fevereiro, apenas 1,46%, e ainda se mantem -19,62% menor em relação ao ano anterior e ainda em patamares mais baixos que anos anteriores.

E em relação a pessoas jurídicas?

Com um movimento muito similar ao mercado de pessoas físicas, chegamos a março com um pequeno crescimento de carteira frente a fevereiro e com um crescimento de 5,10% em relação a inadimplência, porém ainda refletindo -29,18% em relação a inadimplência obervada em março de 2020.

Afinal, como os indicadores de inadimplência vem resistindo a um cenário econômico com alta taxa de desemprego, economia andando lentamente, com os impactos no comercio devido ao impacto da pandemia?

A última divulgação realizada pelo IBGE mostrou uma taxa de desemprego ainda alta com 14,2% e  atingindo recorde de 14,3 milhões de pessoas comparado a série histórica.

Abaixo vamos dar um zoom na inadimplência dos principais produtos de crédito (física e jurídica) focando os produtos que além de sua representatividade na carteira, se destacaram em termos de crescimento durante o ano de 2020:

Nos diversos gráficos acima, podemos ver até alguns movimentos de crescimento, porém muitos destes ainda acompanhando a sazonalidade Fev-Mar. Talvés da curva mais acentuada seja no produto de renegociação de dívidas, porém ainda com uma comparação ano contra ano em -8,71%.

Vale lembrar que todos os indicadores acima são extraídos do site do BACEN, e portanto dizem respeito a carteira de crédito de bancos e financeiras que tem a obrigatoriedade de reportar estas informações ao Banco Central.

A FICO, acompanha indicadores do segmento de varejo onde o famoso CDC, ainda é forte nos segmentos de pagamentos via carne. Em nossas análises em um grupo de 10 empresas de varejo percebemos que a inadimplência não demonstra sinais de grande deterioração.

Vejamos que por mais que os indicadores de 2021 mostrem uma subida, eles ainda estão, no caso da primeira rolagem muito próximo ao patamar de 2020 e no caso do indicador EFIC180 que registra o saldo que chegou a 180 dias de atraso, ainda possui números inferiores aos anos anteriores.

Um dos fatores de cuidado para análise da inadimplência, é o movimento das carteiras de crédito. Como o indicador over é uma relação do saldo em atraso sobre o total da carteira, crescimentos de carteira tendem a fazer o indicador de inadimplência reduzir e ao contrário também.

Porém ao observarmos os indicadores de carteira, percebemos que os crescimentos são muito normais e sempre muito alinhados com as sazonalidades do período.

Ficamos aqui com mais uma vez a expectativa de termos uma inadimplência que se eleve nos próximos meses. Todos os veículos de comunicação trazem em reportagem esta tendência que ainda não se confirmou e nem ainda se aponta em nenhum dos indicadores visualizados.

Vale ainda a atenção na concessão de crédito e na gestão das carteira em andamento.

Vamos continuar atentos.

Fonte: por Eduardo Tambellini*, em 06.05/2021. Crédito de imagem: Risolnav (Pixabay)

*consultor de negócios da FICO