A Indústria de Cobrança e essa tal de Transformação Digital

Inovação Tecnológica e Tecnologias Disruptivas

O que cientistas como Albert Eistein ou pilotos de corridas podem nos ensinar.

tecnologia disruptiva

A quarta onda de mudanças disruptivas nos negócios já se estabeleceu na América Latina. As empresas que entraram na onda começaram a navegar por estas águas desafiadoras, outras ainda estão pensando em como fazê-lo e muitas, assombrosamente, começaram a se afogar.

Durante o último ano, ouviu-se repetidamente as palavras “modernização”, “disrupção” e “inovação”.

Desafio vocês a refletirem com suas equipes de trabalho as seguintes perguntas:

  • Como estes conceitos realmente impactam os negócios?
  • Os processos de negócios estão mudando incluindo estes conceitos ou são apenas menções a processos antigos, sem renovação?
  • A mudança é de infraestrutura, de processos de negócios ou cultural, das pessoas?

É o conjunto de ações efetivamente aplicadas à sociedade que a transformam de tal maneira que não exista retorno. Se a inovação for correta, a sociedade a adota e acaba se vendo transformada pela mesma. O salto de passar de ideias criativas à inovação aplicada é a diferença de atitude e aptidão que atualmente buscam os líderes dos diferentes segmentos do mercado.

Há 10 anos, era inimaginável pensar que a Internet geraria a mudança que vemos atualmente e, como consequência, uma série de inovações voltaram a transformar as comunicações atuais. Airbnb, Waze, Netflix e Uber são apenas casos concretos de inovadores tecnológicos que causaram impacto com uma disrupção na forma de conduzir negócios.

É o conjunto de tecnologias que cria novas concepções de serviços que impactam o “estado atual” das estratégias de negócios existentes. Estes são impactados por uma infraestrutura tecnológica e informática disruptiva, aplicada a conceitos atuais que até então eram considerados tradicionais. As tecnologias disruptivas buscam a consolidação e a propagação nas diferentes indústrias, devido ao fato de serem grandes influenciadoras frente a necessidade de solucionar os negócios atuais.

Alguns casos recentes são Cloud Computing, Big Data, Internet das Coisas, Software-Defined Network, Mobilidade e Social Business.

disruptura

“A loucura é fazer sempre o mesmo e esperar resultados diferentes.” Albert Einstein.

“O projeto não é apenas como se vê ou como se percebe. O projeto é como funciona.” Steve Jobs.

“Como podemos conhecer os limites se não tentamos ultrapassá-los?” Gilles Villeneuve.

A chave de uma transformação digital não é apenas a da tecnologia adotada, senão a que exige que a mudança foque nos indivíduos e nos modelos de negócios. Quando mencionamos indivíduos, não são apenas os funcionários, mas também os fornecedores de serviços e, principalmente, o cliente e sua experiência com os serviços da organização.

“Os indivíduos mudaram seus comportamentos digitais.”

Desde o individual até o grupal e social e as organizações têm a obrigação de antecipar-se a estas mudanças para manter o vínculo de valor com seus clientes. A inovação, que antes estava centralizada nas organizações e surgia nas mesmas, atualmente já não existe. As inovações tecnológicas  chegam antes aos clientes, do que às empresas a partir de diferentes fontes. Os clientes podem ter acesso a mais fontes de informação, aumentando assim seu poder de decisão e alcançando maior rapidez de ação.

As tecnologias inovadoras como Cloud Computing, Big Data, Mobilidade e Redes Sociais, aproximam os clientes de serviços mais acessíveis. Os clientes estão cada vez mais conectados e interconectados entre eles. Os clientes buscam estar hiperconectados, mas ao mesmo tempo exigem serviços que lhes ofereçam maior rapidez, flexibilidade e confiabilidade.

A partir de dentro das organizações, alinhar-se à transformação digital é comprometer-se com uma mudança verdadeiramente cultural na qual as pessoas devem desapegar-se dos conhecimentos e ferramentas do passado, que até o momento funcionaram e geraram a adaptação dos modelos de negócios às necessidades do mercado.

O que é a transformação digital?

Um ponto reiterativo e a chave na transformação digital é que o desafio está centrado nas pessoas.

As pessoas se agarram a conhecimentos e ferramentas que lhes serviram até o momento porque isto lhes dá segurança, mas quando a disrupção tecnológica se apresenta, restam apenas duas opções

  1. Liderar na mudança e transformar-se
  2. Ou ficar atrás sobrevivendo em um salva-vidas que lhe serviu apenas até um momento no passado recente.

A transformação digital nos oferece a oportunidade de permanecer e existir frente às mudanças produzidas no próprio mercado ou geradas pela concorrência na indústria. Em especial, a Indústria de Cobrança igualou o jogo. O número de posições (PAs) deixou, a muito tempo, de ser a principal métrica do setor. Ter 50 colaboradores e ter alcançado a excelência na sua transformação digital pode produzir os mesmos resultados alcançados por uma empresa de 4000 posições. A transformação já aconteceu no lado do contratante dos serviços de cobrança. Só os contratados ainda não perceberam.

Como principais linhas de benefícios empresariais podemos mencionar especificamente: – Flexibilidade – Escalabilidade – Automatização – Custos adaptáveis ao crescimento – Rapidez – Produtividade – Eficiência – Redução de saída do mercado.

O processo de transformação digital envolve a gestão de mudanças nos indivíduos e nos modelos de negócios, priorizando determinados grupos de funções que fazem a diferença no valor organizacional e, consequentemente, valor de diferenciação no mercado:

  1. Melhorar a eficiência e produtividade operacional.
  2. Possibilitar novas fontes de receita.
  3. Oferecer resposta rápida às mudanças da indústria.
  4. Gerar novas experiências para o cliente.
  5. Possibilitar contextos colaborativos e inovação na organização.

O valor de diferenciação está focado na rapidez, flexibilidade e confiabilidade. Um exemplo comparável são as corridas de automóveis quando as equipes atuam na parada dos boxes (Pit Stop) da Fórmula 1 para trocar pneus, reparar o veículo e abastecer. O trabalho em equipe, a flexibilidade das atividades e a rapidez de ação é o valor diferencial entre as diferentes décadas. Um valor diferencial que pode deixar uma equipe inteira fora da corrida.

Aprendendo a aprender com as mudanças

“Não podemos resolver problemas pensando da mesma maneira quando os criamos.” Albert Einstein

“A tecnologia é uma ciência, mas conseguir que as pessoas a usem é uma arte.” Mike Arauz

“Quando quero ir mais rápido não corro mais, me concentro mais.” Jim Clark

As mudanças na organização afetam de maneira integral, de cima para baixo e vice-versa.

Segundo um relatório recente do IDC América Latina, o ano de 2017 representa um ponto de inflexão com alcance pelos próximos três anos, onde os projetos não serão ilhas dispersas dos negócios ou das áreas de tecnologia. Cada vez mais, as organizações, não importando tamanho ou tempo de vida, serão convertidas em “nativos digitais” à medida que seus executivos e funcionários pensem e conduzam suas atividades integrando o processo digital de transformação em todos os níveis e processos organizacionais.

As áreas se integrarão tendo como disparador a própria transformação digital. Baseado no estudo “Digital Vortex: Como a disrupção está redefinindo a indústria” (2105), do Global Center for Digital Business Transformation, a mudança das empresas nos diferentes mercados iniciou uma transformação sem retorno nem freios.

Este relatório prevê:

Que das 10 principais empresas do mercado, 40% serão deslocadas ou terão sua participação na indústria modificada.

A metade delas não tomou nenhuma iniciativa proativa para antecipar-se a estas mudanças disruptivas digitais.

Todas as empresas devem redesenhar sua mudança para a transformação digital, dado que a concorrência empresarial será ampliada a partir de qualquer empresa, qualquer indústria e a qualquer momento.

Em particular, o relatório consultou se as empresas estão liderando um processo de transformação digital de forma proativa e somente 25% das empresas responderam de forma afirmativa.

Destas, 32% estão seguindo um esquema de seguidor dos líderes (nos casos que puderam ser identificados).

E 43% não a identificaram como prioridade ou não tiveram uma resposta adequada a respeito do assunto.

Em particular quando consultadas se este era um tema estratégico na agenda, 45% o descartaram como prioritário, não fazendo parte dos temas da lista. O que eu vejo na prática, em nossa Indústria, é que este número está abaixo de 10%. Muito se fala, pouco se faz.

Neste cenário falta proatividade das empresas e vontade dos fornecedores de tecnologia que continuam a empurrar produtos requentados como se fossem o Estado da Arte em Tecnologia Aplicada.

Os líderes de negócios não devem pensar apenas na transformação digital que já está ocorrendo hoje e sim reinventar sua visão do futuro com o que hoje já está ocorrendo com as disrupções tecnológicas. A espiral em direção ao centro convergente da disrupção digital levará todas as empresas a adotar mais e mais serviços de tecnologia e informática em todos os seus níveis. As empresas que adotarem inteiramente a tecnologia para transformar seus modelos de negócio serão as que superarão sua concorrência em qualquer dos mercados em que operem.

Para 2019, segundo o IDC América Latina, mais de 60% das empresas Top 3000 da América Latina designarão equipes de trabalho inteiramente dedicadas à transformação e inovação digital. Isto implica que as empresas que não fizerem parte desta transformação verão distanciar-se, e de forma substantiva, a participação nos mercados de negócios. Cuidado, 2019 é depois de amanhã!

“MUDE ANTES QUE TENHA QUE FAZÊ-LO.” Jack Welch

“NA VIDA HÁ QUE SE TENTAR SER O MELHOR, MAS NUNCA ACREDITAR QUE SE É O MELHOR.” Juan Manuel Fangio

A transformação digital, como alcançá-la?

“Nos momentos de crises apenas a criatividade é mais importante que o conhecimento.” Albert Einstein.

“Se tudo parece estar sob controle, então você não está fazendo suficientemente rápido.” Mario Andretti.

A transformação digital se alcança com equipes baseadas na criatividade e inovação nos modelos de negócio. Apesar de serem palavras conhecidas, a definição de ambas é confusa e dificilmente aplicável aos processos tradicionais dos modelos de negócio.

Voltando ao conceito de organização como “nativo digital”, em seu conjunto organizacional, as linhas de negócios e as linhas de tecnologia estão obrigadas por contexto a aprofundar-se em temáticas em comum já que não existirão negócios de um lado e processos digitais de outro, e sim negócios digitais (Digital Business) abordados por todos os ângulos da organização.

A soma de esforços será alcançada integrando as áreas de negócios e tecnologia, CEO, CIO e CTO dialogando sob as mesmas metas.

Criatividade

– Muda a percepção dos negócios.

– Requer pensamento.

– Poder ser em um instante ou uma série de instantes relacionados.

– Imagina um sistema novo.

– Seu efeito NÃO se pode medir.

–  A função de um “líder criativo” é cultivar a reflexão.

Inovação

– Muda a realidade dos negócios.

– Requer ações e compromisso.

– Leva um tempo para implementar.

– Entregar algo novo ao sistema transformando-o.

– Seu efeito pode SIM ser medido.

– A função do “líder da inovação” é persuadir a ação.

O sucesso da transformação digital se consegue envolvendo toda a empresa em uma visão compartilhada.

“Trabalhei muito duro, muito duro para chegar até aqui. Sacrifícios? Nenhum. Foi duro, mas não sacrificado; sacrifício é fazer algo que você não quer fazer” – Pedro de la Rosa.

“Sim, pilotei ao máximo, mas só ao máximo do veículo, não ao máximo das minhas capacidades.” – Michael Schumacher.

Os negócios digitais são mais do que a tecnologia, mas sem a tecnologia não é possível potencializá-los. A tecnologia é central.

Muitos dos negócios digitais atuais são projetos liderados pelas áreas de negócios e possuem uma prioridade tática vinculada à eficiência, produtividade ou redução dos custos operacionais.

disruptura

Conclusão 1

A transformação digital deixou de ser um algo para ser resolvido no futuro. Para muitas Empresas da Indústria de Cobrança, este futuro não existirá. Para que a transformação digital tenha sucesso, é preciso que haja uma transformação nas “personas” envolvidas. Porque o presente já é digital. O Futuro, bem, o futuro será algo inimaginável.

E as Redes Sociais como instrumento de Cobrança?  Isto penso que já é o passado do presente…

Conclusão 2

Esse artigo foi escrito em Setembro de 2017. De lá para cá o cenário pouco mudou, houve um agravamento da situação da Indústria de Cobrança, que continua a esperar por mudanças, a mercê de contratantes de seus serviços e sem buscar o protagonismo tão necessário ao momento delicado pelo qual passa.

Fonte: por Luciano Basile*, em set.17 e 26.06.2019.

*CEO de i-Coll Soluções Telemática e CTO de Digitally Pay ; evangelista e livre pensador sobre questões ligadas a disrupção do mundo analógico para o mundo digital.

2019-06-23T17:32:19-03:0026/06/2019|Mundo Digital|Nenhum Comentário
Translate »