Infraestrutura defasada é entrave para a Transformação Digital, diz estudo.

Segunda edição da pesquisa IT² – Benchmark da Maturidade da Infraestrutura de TI no Brasil, da Dell, mostra que empresas brasileiras têm muito a fazer
infraestrutura

A infraestrutura de TI das empresas brasileiras não está preparada para suportar a Transformação Digital dos negócios. Ainda há um longo caminho a percorrer para que os ambientes tecnológicos acompanhem o ritmo acelerado de digitalização das corporações, de acordo com a 2ᵃ edição do estudo “IT² – Benchmark da Maturidade da Infraestrutura de TI no Brasil”, encomendado à IDC Brasil pela Dell Technologies, em parceria com a Intel.

“Os resultados do estudo confirmam que começa a existir uma mudança de comportamento, com uma tendência de aumento na modernização proativa da infraestrutura de TI, no entanto cerca de 40% das empresas ainda seguem com um modelo reativo, no qual só realizam investimentos na atualização ao término de garantia ou contrato, em vez de priorizarem a otimização de workloads. Um cenário que pode gerar gargalos para o negócio, na medida em que os ambientes tecnológicos não estejam preparados para suportar o ritmo de digitalização das empresas”, pontua João Bortone, diretor-geral de Vendas de Soluções para Data Center da Dell Technologies no Brasil.

O estudo foi realizado no quatro trimestre de 2018, com 250 gestores de TI com poder de decisão de compra de infraestrutura de TI em empresas privadas com mais de 250 funcionários, nos segmentos de finanças, comércio, manufatura e serviços. Foram avaliados três critérios: Modernização da Infraestrutura; Automação dos Processos; e Processos Internos e Cultura. Mesmo com um ligeiro avanço em relação ao estudo de 2018, saltando de 33,7 para 35,9 pontos neste ano, em uma estaca de 1 a 100, a Automação de Processos se mantém como o item pior avaliado entre os requisitos para que as organizações brasileiras tenham infraestrutura de TI preparada para a Transformação Digital.

Em linhas gerais, houve uma pequena melhora em relação ao índice IT² apurado no ano passado. O país saltou de uma nota média de 43,7 na edição anterior, para 46,4 pontos agora, puxado pela alta da média do critério Processos Internos e Cultura. A visão de que a TI é um parceiro estratégico da área de negócios está consolidada para os gestores de TI ouvidos na pesquisa, segundo João Bortone. “A TI deixou de ser somente um centro de custos, com as áreas de negócio já conseguindo perceber a TI como um parceiro estratégico”, diz ele. Mas as boas notícias meio que ficam por aí. Na prática, os dados mostram que apenas um em cada três executivos consultados considera que a área de Tecnologia da Informação representa um diferencial competitivo na visão das áreas de negócios. O time de TI ainda tem muita dificuldade em comprovar seu valor para as organizações.

indice de empresas privadas

Um dos motivos é a falta de agilidade em responder às pressões por modernização da infraestrutura que suportará a inovação e a digitalização dos negócios. “As empresas brasileiras apresentaram uma melhora importante na questão da Modernização da Infraestrutura, comparado à primeira edição do estudo, com crescimento de mais de quatro pontos, saltando de uma média de 42, em 2018, para 46,3 este ano. Porém, a nota geral nesse quesito continua abaixo da média. E isso deve ser um ponto de atenção para o CIO”, explica Bortone.

Na opinião do executivo da Dell, os gestores de TI devem estar mais atentos aos parâmetros que levam aos investimentos na tecnologia de infraestutura. Hoje é um empate técnico entre preço, ROI e o potencial de inovação. Mas TCO fica um pouco para trás. “Os CIOs esquecem que não basta comprar um barco, é preciso manter o barco, que tem um custo de manutenção altíssimo”, diz Bortone, recorrendo a uma analogia para tornar mais claro o fato de que quando não se ela em conta o custo de operação da solução, pode-se colocar a perder todo o potencial de inovação ou de economia pretendidos. “O custo total de operação tem que estar no mesmo nível dos outros indicadores”, afirma Bortone.

“Sem clareza do ROI e do TCO, a possibilidade de otimização do orçamento tende a ficar restrita”, afirma Pietro Delai, gerente de Pesquisa e Consultoria da IDC Brasil. “Sem olhar para o TCO, o gestor continuará a ter dificuldades para garantir uma sobra de dinheiro para investir em inovação. Tem um espaço para melhoria aí. Para uma mudança de atitude”, completa.

Nesse aspecto, vale destacar que, a exemplo do ano anterior, pouco mais da metade dos orçamentos de TI das organizações estão dedicados a manter o legado (em 62,4% das empresas consultadas), enquanto apenas 42,02% são dedicados à inovação. “É o custo do legado inibindo negócios”, comenta Bortone.

Essas sobras de dinheiro serão fundamentais para os investimentos em virtualização e automação de processos. O estudo mostra que a maior parte das empresas (45%) tem priorizado investimentos em virtualização como parte do caminho para modernização da infraestrutura de TI.

O estudo aponta ainda que a virtualização tem sido o principal ponto avaliado pelos gestores da infraestrutura de TI para automatizar a gestão dos ambientes e ter mais flexibilidade para atender novas demandas. Os servidores seguem como os recursos mais virtualizados pelas empresas, com 73,6% dos entrevistados indicando que apresentam de 51% a 100% do processamento em máquinas virtuais.

Há uma desconfiança dos gestores de TI em relação à migração para cloud pública, com só 6% das empresas (contra 7% em 2018) pretendendo ter 100% das cargas de trabalho nesses ambientes em 24 meses. Na variação anual, cresceu (de 38% para 40%) o número de companhias que pretendem não ter qualquer workload em nuvem pública nos próximos dois anos.

De acordo com o levantamento, 39% das empresas já adotam multicloud, mas 26,8% trabalham em ambientes isolados, sem ferramentas de orquestração, integração e governança – o que não permite colher todos os benefícios da nuvem híbrida.

Outro ponto relevante é em relação ao storage. “Com a explosão de dados, a arquitetura existente hoje nas empresas não aguenta entregar informação em tempo real e manipulada através de Analytics”, comenta Bortone. “Servidores, armazenamento e rede têm que estar virtualizados”, afirma o executivo. “Esse é o gargalo para a transformação digital que os gestores de TI precisam entender”.

“Se a infraestrutura não tiver virtualizada e automatizada, o gestor de TI não consegue atender na velocidade requerida, nem ter escalabilidade”, diz Pietro.

Para responder às exigências de agilidade e flexibilidade da TI, 16,8% dos líderes consultados afirmam já utilizar soluções hiperconvergentes, consideradas essenciais para garantir mais agilidade no atendimento a novas demandas na camada de infraestrutura. Outros 14,8% planejam implementar nos próximos 12 a 24 meses. A maioria, portanto, ainda não se beneficia do modelo.

Por outro lado, 30,8% afirmam que não pretendem adotar esse tipo de solução e 21,6% admitem desconhecer o termo hiperconvergência.

O principal benefício da hiperconvegência é a simplicidade operacional que ela promove. Com a centralização da infraestrutura, é possível gerenciar e remodelar os serviços de acordo com as necessidades específicas da empresa. Como consequência, a manutenção também se torna mais simples. E os custos, mais controlados.  Em outras palavras,o modelo hiperconvergente é mais flexível — os custos e a linearidade do crescimento da capacidade de armazenamento, por exemplo, são mantidos sob controle.

Autoatendimento

Apesar da importância da automação de processos para a Transformação Digital, 68,4% das empresas participantes ainda não possuem investimentos para implementar o autoatendimento.

Quem já oferece o autoatendimento, precisa controlar melhor a automação dos processos, através de governança e billing. Mas a maioria das empresas pesquisadas não tem os recursos necessários para tarifar as áreas pelo uso efetivo da tecnologia. Apesar de 22,4% das companhias citarem que a área de TI já cobra das áreas usuárias pelo efetivo uso dos recursos de tecnologia, só 6,8% afirmam ter menus de autoatendimento completos para que as diversas áreas da empresa provisionem recursos tecnológicos de acordo com a necessidade delas.

Ferramenta para análise online

As empresas interessadas em avaliar o grau de maturidade da infraestrutura de TI, podem cadastrar-se gratuitamente na ferramenta IT² – Benchmark da Maturidade da Infraestrutura de TI no Brasil desenvolvida pela IDC e patrocinado pela Dell Technologies e Intel. Trata-se de uma análise online, por meio da qual as empresas brasileiras podem avaliar o grau de maturidade da sua infraestrutura de TI para suportar a transformação digital e comparar os resultados com outras organizações instaladas no país.

Fonte: por Cristina De Luca para CIO from IDG em 21.03.2019

2019-03-22T11:04:35-03:0022/03/2019|Tecnologia|Nenhum Comentário
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