O filme “HER” e a Cobrança no Futuro

Se você é destes que gosta de refletir sobre o futuro, considere separar duas horas para assistir HER*, o premiado filme de Spike Jonze. HER é uma espécie de ficção científica que provoca séria reflexão sobre a relação homem x máquina. Todavia, não numa perspectiva tradicional do conflito entre humanos e máquinas, mas numa perspectiva de fusão tão completa entre os dois que as interações humanas e a própria dinâmica de vida cotidiana parecem inimagináveis sem a intermediação de um sistema.

O enredo parte da história de um homem comum que se apaixona e passa a se relacionar com um sistema operacional. Esta modalidade de relacionamento pode parecer estranha para nós aqui do presente. Todavia, o futuro retratado em HER não apresenta fronteiras entre o real e o virtual. Amizades, amores e negócios se desenrolam no virtual como se reais fossem. Aliás, são reais, e se dão de maneira natural. Aparentemente, o virtual se apresenta como um modelo de perfeição para o pessoal. A perfeição e conveniência são tais que, neste futuro retratado em HER, parece haver um gradual movimento migratório das relações pessoais para as relações virtuais.

Virtual como modelo de perfeição para o real. Gradual movimento de migração do pessoal para o virtual. Relações convenientes ao alcance de todos. Expressões que parecem também se aplicar à nossa HER: a cobrança no século XXI. É o que olhos dispostos a ver percebem a partir de uma análise dos recentes movimentos de mercado. Onde este movimento vai desembocar? Como será a relação entre credor e devedor neste enigmático ambiente do futuro?

Podemos ainda não ter respostas categóricas e conclusivas para nenhuma destas questões. Mas creio que você e eu precisamos ter respostas claras e objetivas a algumas questões. Como a organização à qual pertenço, ou que dirijo, está se movimentando na direção do futuro? Que evoluções na forma de cobrança são perceptíveis nesta organização nos últimos 24 meses? Que ações concretas eu tenho tomado para me adequar à nova realidade e para contribuir no redirecionamento da empresa da qual faço parte?

Ao refletir sobre estas questões, convido você a não se restringir às respostas no viés das soluções tecnológicas. Considerando que estamos no meio de um processo de transformação, de gradual migração do pessoal para o virtual, a reflexão proposta precisa também passar pelas pessoas que compõem a sua organização. Elas têm sido envolvidas em algum movimento na direção do futuro? Algum investimento tem sido destinado à modernização na forma como as pessoas de nossas empresas percebem e trabalham cobrança? Nesta autoestrada para o futuro, as organizações precisam estar atentas para não investirem apenas na melhora dos veículos. Afinal, enquanto os “carros de cobrança” não forem autônomos (se é que de fato algum dia serão), devemos cuidar para não termos profissionais “Fred Flinstones” conduzindo veículos dos “Jetsons”.

Enfim, com o necessário cuidado para não “dar spoiler”, preciso compartilhar com você, leitor, duas certezas que extraio de HER e de seu surpreendente final: a certeza da incerteza e a certeza de que já não há mais espaço em cobrança para FLINSTONES.

Fonte: por Rodolfo Seifert, para CollBusiness News, em 17.04.18


* O filme “Her” encontra-se disponível na Netflix com o título “Ela”.

** Os Jetsons e os Flinstones foram desenhos produzidos para a televisão pela Hanna-Barbera.

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