intraempreendedor

O processo de globalização continua transformando os mais diversos aspectos da vida, incluindo relações de trabalho, o comércio nacional e internacional, o consumo, dentre outros. Além disso, a globalização aumentou a competitividade entre as empresas, pois elimina o fator da geolocalização, que permitia que empresas detivessem um monopólio regional sobre determinado serviço ou produto.

Desta forma, os consumidores passaram a ser mais exigentes, pois a oferta de produtos e serviços se amplia com a globalização. Neste cenário, os consumidores passaram a ter poder de ditar o que vai acontecer e não mais as empresas. Sendo assim, as organizações precisam se adaptar à nova realidade posta para sobreviverem nesse novo cenário, de forma a não repetir casos como da Kodak ou da Blockbuster, que não aceitaram as inovações de seus mercados e acabaram fechando.

Para isto, precisam encorajar a mudança de cultura, de forma que deixem de fazer o que todo mundo espera e passem a inovar na forma de fazer, incentivando a criatividade, empoderando seus times, sendo mais rápida na tomada de decisão. As organizações mais tradicionais precisam mudar seu mindset, de forma que visem o crescimento e passem a incentivar o intraempreendedorismo. Porém essa mudança deve ser um desejo da alta direção, bem como deverá fazer parte da mentalidade de todos que estão na organização.

Diante deste novo panorama, os profissionais com o perfil intraempreendedor passam a ser essenciais para a organização, pois são colaboradores visionários, criativos e com ímpeto de implementar ideias dentro no ambiente corporativo. As organizações passam a adotar novas medidas, geralmente estabelecidas pela alta direção, de forma a incentivar e reter esse perfil de profissional. Além disso, muitas empresas já buscam esse perfil de colaborador no mercado.

A valorização dos intraempreendedores se deu muito em decorrência da perda destes colaboradores pela empresa, pois esta última nunca admirou ou reconheceu a importância deles para sua atividade.

Para identificar esse profissional em uma organização, deve-se atentar para algumas características que são essenciais do intraempreendedor, como visão de negócio diferenciada; habilidade de entender uma ideia; execução de todas atividades necessárias para executar a ideia; poder de transformar a ideia em ação; prazer em realizar qualquer trabalho; crença no sucesso da ideia novo produto;  primar pela; aceitar erros ou falhas e espírito de trabalho em equipe.

Podem ser elencadas, por fim, cinco engrenagens – mencionadas pelo executivo Guillaume Hervé, em seu livro “Winning at Intrapreneurship” – que devem estar funcionando de forma conjunta para que intraempreendedorismo tenha sucesso em uma organização: gerenciamento do processo de inovação; combinação de competências essenciais para atender a nova oportunidade de mercado; lançamento de novos produtos ou serviços; aplicação interna de lições de empreendedorismo; e superação de obstáculos corporativos através do intraempreendedorismo.

Fonte: por Sylvia Camarinha*, em 31.07.2020.

*mestre em Direito dos Negócios, consultora de projetos de inovação e sócia do escritório Lima Feigelson Advogados