O Plano de Ciro Gomes de quitar dívidas é viável ou demagogia?

O plano que Ciro Gomes introduziu rapidamente no debate presidencial sobre ajudar a quitar as contas atrasadas de 60 milhões de brasileiro é economicamente viável, ou se trata de demagogia?

Podemos pensar que de um lado é demagogia, uma vez que aponta direto para uma massa que foi induzida a consumir, sem nenhum tipo de educação financeira, sem capacidade de planejamento financeiro e fortemente afetada pelo desemprego.

Por outro lado precisamos estudar os números do mercado. O Brasil tem cerca de 110.000.000 de pessoas economicamente ativas. Desses oficialmente temos 68.000.000 fora do consumo por estarem inadimplentes. Um outro grupo está inadimplente mas não negativado – O varejo não está negativando – e um terceiro já não está negativado pois cumpriu o período de 5 anos no SPC/SERASA, mas não consegue crédito, afinal dívida não prescreve como muitos pensam.

Temos ainda o grupo dos fortemente endividados que já não tem mais como consumir e esta apenas rolando suas dividas.

Através desse raciocínio grosseiro podemos concluir que a população em capacidade de consumir através do crédito é cada vez menor.

Perdoar as dividas pode sim ser uma solução para aquecer a economia. Afinal falta consumidor no mercado e não existe mercado sem consumidor. Digamos que uma medida heterodoxa. Uma medida dessas deveria vir acompanhada de forte processo de educação financeira e controles para evitar que o problema se repita.

Essa ideia, com certeza patrocinada pelo mercado financeiro, injetaria bilhões de reais, que não existem e traria benefício unicamente aos grandes bancos.

Acredito que é muito heterodoxa, mas acredito que tenha a ver com a falta de consumidores no mercado, e o mercado de credito reage. E deve estar por trás dela. Afinal não vi nenhum banco reclamando. O que falta é Ciro Gomes explicar como faria isso, e o que faria para que essa situação não se repetisse mais.  Inadimplência existe em todos os grandes mercados financeiros do mundo: cerca de 8% em mercados maduros. Discutir inadimplência no Brasil sem discutir a falta de Educação Financeira, a concessão irresponsável de crédito, o marketing voltado ao consumo desenfreado, a falta de empregos, a renda indecente que os trabalhadores recebem… não é uma discussão isenta. Choca por ter virado tema de campanha política, sinal que o problema já subiu, e muito, o telhado da economia. Cabe a nós profissionais de Crédito e Cobrança discuti-la com profundidade.

Fonte: por Luciano Basile, em seu blog Luciano Note, em 11.08.2018

2018-08-12T22:45:04-03:0014/08/2018|Crédito&Cobrança|1 Comentário
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