O que Jeff Dean tem a ver com a Indústria de Cobrança?

Começo meu dia invariavelmente me atualizando quanto as últimas informações do dia a dia. Há muito tempo não leio jornais de papel. Tomo café e leio no computador.  Além dessas informações, recebo uma série de artigos de diversas fontes.  Em geral, artigos sobre tecnologia, inovação, empreendedorismo, biotecnologia, economia circular, crédito e cobrança.

Jeff Dean, Google Senior Fellow

Hoje destaco um, de Jeff Dean – Google Senior Fellow – onde ele afirma que em 10 anos, 40% das empresas no mundo não existirão mais. Imediatamente isso provocou uma reflexão. Penso nisso de forma específica quanto a Indústria de Crédito e Cobrança. Nos últimos cinco anos só falamos em Cobrança Digital, mas onde realmente chegamos até agora? Um dos pilares da sustentabilidade do crédito é a cobrança. Os esforços em digitalizar a cobrança, o sentido de necessidade parece unânime. Mas o que realmente alcançamos? – Na minha opinião um pouco mais do mesmo. Falta inovação e ousadia. Continuamos a oferecer a um cidadão condições de pagamento alavancadas de juros para uma pessoa que não teve condições de pagar menos a 30, 60, 90 dias atrás. As soluções que começam a aparecer no mercado, são versões requentadas dos sistemas utilizados dentro da Agência de Cobrança. Enquanto não formos capazes de oferecer negociações inovadoras, continuaremos a fazer mais do mesmo; afinal colocar um pouco mais de tecnologia na operação é muito fácil, difícil é resolver a situação do cidadão que hoje tem que escolher a dívida que vai pagar no mês corrente. Talvez precisemos pensar mais em Educação Financeira. Talvez precisemos avaliar melhor o credit score, afinal os 63 milhões de inadimplentes de hoje, um dia passaram pelos modelos de concessão de crédito.

Mas a afirmação de Jeff Dean continua martelando meu pensamento – Para onde vai a cobrança? O sonho de consumo do mercado é uma empresa 100% digital. Sem humanos. A Indústria olha para a sua sobrevivência!!!. Durante anos trabalhou com contratos aviltados, hoje paga o preço de operações que não se pagam. Um caminho a ser analisado é olhar os resultados.

(Imagem iStock)

Algumas empresas apontam para 30% de recuperação do universo a ser recuperado. Números muito parecidos com os das operações com humanos. Considerando que os custos são infinitamente menores em uma operação digital, isso por si só já justificaria a transição. Mas é preciso destacar que o valor pago pelo contratante também é muito menor.

O controle do custo da operação é fundamental; caso contrário, iremos trocar seis por meia dúzia.

O perfil da nova empresa de cobrança incorpora novas personas. Um pessoal bastante especializado, apoiados por AI – Inteligência Artificial. Visão estratégica. Controle de custos apurados. Margens de lucro compatíveis. E que entendam de crédito.

Já vivemos diversas ondas: Banco de dados, CRM, Discadores preditivos, BI … planilhas Excel. E em pleno 2018 sempre que pergunto informações triviais sobre performance, volumetria, características do recuperado não consigo receber uma resposta na ponta dos dedos, ou na ponta da língua. Acho que sobra Rubinho onde precisamos de mais Schumacher. A Ferrari é mero detalhe.

Até lá teremos empresas que atendem pelo WhatsApp e se dizem digitais.

Luciano Basile

CEO de i-Coll Soluções Integradas e CTO de Digitally Pay. Publisher de CollBusiness News.

 

2018-05-17T10:20:50-03:0017/05/2018|Crédito&Cobrança|Nenhum Comentário
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