caso da ScaleFactor

Não posso mentir e dizer que me assustei com a matéria da FORBES , quem conhece o trabalho que desenvolvemos no Grupo Epicus, sediado no Rio de Janeiro, sabe bem que sempre tivemos um olhar desconfiado para as supostas “mágicas” tecnológicas que as startups de tecnologia prometem.

Interessante, mas triste, verificar e ler em um dos trechos da matéria, que: as startups de tecnologia costumam ser recompensadas por uma mentalidade de “finja até conseguir alcançar o que deseja” por empresa de capital de risco dispostas a jogar dinheiro em um produto até que ele atenda às expectativas.

Confesso, estou tentando buscar a lógica disso, mas só consigo ver o de sempre, que é um jogo sendo jogado cheio de macetes, palavras caprichosamente calculadas, que nesse meio tempo, entre fazer o que promete e ser descoberto por não entregar o que prometeu, destrói, corrói, sub julga toda uma profissão científica, no caso concreto, a profissão contábil.

Obviamente temos exceções, há sim empresas das quais conheço e que garantem alguma automação, garantem algum ganho de velocidade, mas nenhuma garante a qualidade que só pode e só poderá ser dada por um profissional humano, capaz de decidir, interpretar, analisar, caso a caso, e aplicar, essência sobre a forma.

A ScaleFactor levantou muitos milhões de investidores, e não cobrava de seus clientes um valor inexpressivo como as startups que atuam no Brasil, incentivando e desvalorizado a ciência contábil, o ticket médio deles girava em torno de US$ 1.000/mês, bem diferente dos modelos milagrosos que andam por aí oferecendo suas ilusões por R$ 100,00, ou menos.

Não cabe aqui a crítica, cabe a reflexão, para que possamos acordar que há coisas simples e que há coisas complexas, e que o híbrido é o melhor caminho. Falar que a ferramenta A ou B irá “acabar” com algo beira o absurdo.

Estamos cansados das previsões que se perdem por não prever que a evolução se dá em todas as pontas, e que se a máquina evolui o homem também, e a necessidade interpretativa também, e a necessidade de entendimentos fora da linha tradicional do raciocínio também.

Cada dia alguém se levanta pra dizer, “eu sou seu salvador”, alguns já até usam siglas para criar gatilhos mentais aos mais suscetíveis a isso, e nesse ponto, que me perdoem os estudiosos de programação neuro linguística, mas há o público certo para estudar PNL e o público errado, que ao criar modelos mentais e links do objetivo A ao B acreditam em ilusões ou criam inimigos que nunca tiveram.

Que fase, advogados que falam de contabilidade, empresas de tecnologia que usam humanos, contadores que aceitam essa flutuação de conceitos míopes, que só criam cegueira para uma ciência extremamente rica, cercada de detalhes, cercada de beleza e que, na minha humilde opinião, é a única forma de se gerenciar um negócio com clareza e assertividade.

Fonte: Por Sérvulo Mendonça, para CollBusiness News em 23/07/2020

* CEO e Compliance Officer do Grupo Epicus e Presidente do Forum3C.