A outra cara do algoritmo

Preocupação com a proteção dos nossos dados tem fundamento.
Mas só um algoritmo é capaz de nos proteger de um uso nocivo.
algoritmos

Um algoritmo decide as propostas que o Google lhe oferece numa busca, sabendo pela experiência anterior o que lhe interessa realmente; outro seleciona os posts que aparecem na sua timeline do Facebook, silencia outros e lhes sugere possíveis amizades; um terceiro recomenda livros, música e produtos assim que você entra no site da Amazon. O Tripadvisor sabe que tipo de férias lhe agrada, e o e-dreams está ciente dos lugares para onde costuma viajar. O corretor automático muda o que você escreve porque às vezes sabe bem o que você quer dizer, e seu assistente pessoal lhe recorda que faz alguns dias que você não liga para a sua mãe. Tudo isso, e todo o resto, é governado por sua majestade, o algoritmo.

Os algoritmos têm um vasto lado positivo e insuspeitado, porque estão por trás dos avanços da medicina, da meteorologia, da gestão ambiental e da logística

Além da tecnologia, com sua cara e coroa, os algoritmos têm um vasto lado positivo e insuspeitado, porque está por trás dos avanços da medicina, da meteorologia, da gestão ambiental da natureza e da logística que nos provê com os bens dos quais necessitamos, dos processos produtivos, do controle do tráfico, da programação televisiva e das desigualdades dos mercados. Os algoritmos permitiram o surgimento de aplicativos tão interessantes como os assistentes virtuais, tais quais Alexa, Cortana e Siri, os que lhe sugerem um possível parceiro amoroso, as que possibilitam os filmes de animação, ajudam a investir na Bolsa, traduzem idiomas em tempo real, aconselham compras de todo tipo, de viagens a seguros, atendem os seus telefonemas, medem sua atividade física ou controlam o funcionamento dos eletrodomésticos de sua casa. Além de praticamente qualquer outra coisa que imaginarmos.

De fato, o algoritmo é neutro: trata-se apenas da formalização dos diferentes passos de um processo para a resolução de um problema matemático com um fato real como modelo. São instruções ordenadas esperando a inserção de um input para gerar uma resposta. A pergunta pode ser que dose deste fármaco determinado paciente deve tomar? Como devo regular o tempo de exposição do scanner? É necessário pôr em alerta ou inclusive desocupar esta zona por risco de desastre natural? Em quantos minutos o próximo ônibus chegará? O input pode ser qualquer operação feita pelo celular, de enviar um whatsApp a fazer uma conta na calculadora, virar a página no documento que estou lendo, ou dizer à Siri que quero escutar uma canção. É uma ferramenta, assim como uma chave de fenda ou uma faca. Seus benefícios ou riscos não estão, portanto, no algoritmo em si, e sim no uso que se faça dele.

Dentro de algumas semanas, a Espanha será o palco que mostrará ao mundo toda essa matemática aplicada

De tudo isto trata a matemática aplicada, que transforma dados e algoritmos em conhecimento, em uma ajuda à tomada de decisões adequadas, em melhoras e inovações nos processos industriais ou cotidianos ou em alertas de possíveis riscos, dos que afetam à saúde até os que decorrem de uma catástrofe natural.

A Espanha será, dentro de algumas semanas, o cenário onde toda essa matemática aplicada será mostrada ao mundo. O Congresso Internacional de Matemática Industrial e Aplicada (ICIAM) é o maior evento mundial em seu âmbito. Ocorre a cada quatro anos desde 1987 e pela primeira vez chega à Espanha. Quase 4.000 especialistas de todo o planeta estarão lá para nos contar que novas aplicações conseguiram ou estão desenvolvendo. A matemática é o motor da revolução industrial do século XXI, a que está transformando o mundo ao oferecer a inteligência que se esconde por trás dos constantes e assombrosos avanços da tecnologia, a que está construindo o futuro.

Fonte: por Tomás ChacónRosa Donat e Henar Herrero para Brasil -El País , em 24.06.2019

2019-07-05T16:38:22-03:0002/07/2019|Tecnologia|Nenhum Comentário
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