Quem diria!!! O Brasileiro ainda preza o nome!!!

Pesquisa mostra que limpar o nome é a principal motivação do brasileiro para quitar dívidas.

Em tempos onde nos deparamos com notícias como: viadutos caindo, políticos corruptos presos, corrupção generalizada, violência explicita, notícias estas que nos deixam envergonhados, surge uma luz no fim do túnel que nos enche de esperança.

Uma pesquisa do Instituto Geoc, mostrou que 66% dos entrevistados afirmam que limpar o nome é o principal motivo para pagar dívidas em atraso. Veja abaixo:

A pesquisa possuía uma série de questões relacionadas a quitação de dívidas, como, quando e de que forma o público inadimplente se comporta.

Tenho dito repetitivamente que o perfil do inadimplente mudou nos últimos 10 anos, como mudou e de forma crescente a oferta de crédito. Pessoas que não tinham sequer uma conta bancária, hoje têm, muitas vezes, a carteira recheada de cartões de crédito de lojas.

Este também é um produto que requer atenção pois 53% dos entrevistados indicam que possuem o cartão de crédito em atraso.

Mas afinal quem é este novo inadimplente?

Como disse, o perfil do cliente em atraso mudou. Quando comecei a trabalhar com cobrança, a oferta de crédito ainda era restrita e direcionada a uma parcela pequena da população. O carnê de crediário era praticamente a única forma de crédito para o público não bancariazado. Desde a estabilização da economia trazida pelo Plano Real, o acesso ao crédito passou a ser mais fácil, porém junto com o acesso veio a ânsia de crescer carteiras de crédito. Vender produtos de crédito passou a ser a alavanca para empresas de varejo, os cartões Private Label explodiram, o empréstimo pessoal era ofertado no meio da rua das grandes cidades com um grau de competição que, muitas vezes, gerava até um clima de guerra entre as financeiras instaladas em uma mesma rua.

Também já escrevi diversas vezes que o crédito é um fator essencial para o crescimento de qualquer país e o movimento relatado acima deve ser visto como uma evolução. Porém, insisto que faltou a tão necessária educação financeira.

Canso de ver exemplo de pessoas simples que possuem cartões de crédito, e usam, por exemplo, em supermercados. Vejam só, o cliente faz no mês 1 uma compra de R$ 300 e parcela em 3 vezes de R$ 100, no mês seguinte mesmo coisa, mais 3 parcelas de R$ 100, no próximo igual; e aí, o que acontece? O que na cabeça dele tinha sido parcelado em 3 X de R$ 100, foi realmente, porém juntaram agora três parcelas e este valor começa a pesar no bolso.

Ora, mas é inacreditável, você deve estar pensando, como uma pessoa pode não entender isso?  A migração do carnê para o cartão trouxe uma nova realidade. O consumidor antes acostumado a “visualizar”, “sentir” as prestações fisicamente, passou a conviver com faturas mensais cheias de informação e detalhes que até hoje confundem a população sem conhecimento financeiro.

A tão carente educação financeira é a ausência básica neste processo. Ocorre ainda, que as instituições insistem em gerar ofertas de crédito cada vez mais acessíveis e a um simples “click”.

Mas mesmo com todo este cenário, a pesquisa nos trouxe um fator positivo o qual deixamos de acreditar. O Brasileiro se preocupa sim em ter seu nome limpo.

Mas então, o que afinal isso nos mostra?

Insisto que é hora de reavaliarmos nosso apetite capitalista. Rever o quanto sustentável somos quando oferecemos condições de renegociação de dívidas. Será que quando oferecemos um parcelamento, buscamos resolver o problema do cliente ou na verdade esta é mais uma chance de ganhar mais dinheiro?

Esclarecendo que não tenho nenhum sentimento de proximidade com o socialismo ou comunismo, sou sim um cidadão capitalista, porém tenho sempre me questionado o quanto capitalista.

Canso de ver empresas oferecendo parcelamentos onde o operador de cobrança indica ao devedor: “mas será que o Sr. não consegue pelo menos o valor da entrada?”. Como se apenas a entrada fosse a dificuldade. Esquece-se do que vem pela frente, as demais parcelas.

Quantos clientes entram em parcelamentos em cima de parcelamentos, muitas vezes já tendo quitado o principal a muito tempo.

É hora de refletirmos, de criarmos produtos de cobrança para o perfil atual, perfil do cidadão que buscou sim o crédito, mas o qual não foi educado financeiramente para momentos de crise. Cidadão este que se preocupa SIM com seu nome. O inadimplente precisa de ajuda! Precisa que as equipes de recuperação, busquem recuperá-lo como cliente, e não apenas como o valor financeiro.

É hora de nós gestores começarmos a pensar em um país sustentável, que possa produzir riquezas e parar de olhar apenas para nosso próprio bolso. É hora de descobrirmos nosso real propósito pessoal e profissional. É hora de fazermos um país melhor por nós mesmos, e deixar de esperar milagres políticos ou um salvador.

2018 é ano de eleição, vamos buscar não apenas em quem elegemos mais também em nós mesmos o propósito para um país mais sustentável.

Fonte: por Eduardo Tambellini, para o site CollBusiness News, em 19.fev.2018.

2018-02-19T10:38:17-03:0019/02/2018|Crédito&Cobrança|Nenhum Comentário
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