Reflexões e Especulações sobre o 2019 do Brasil

Como pano de fundo ao texto que se segue, gostaria de compartilhar experiências pessoais durante as primeiras semanas do futuro finado 2018:

  • Situação I :

Conheço uma revendedora de cosméticos e de produtos de beleza que estava indignada com o atraso na entrega da encomenda de Natal. Além disso, vários produtos solicitados estavam em falta, pois as revendedoras que foram “mais rápidas no gatilho” já haviam garantido os pedidos dos itens mais cobiçados.

  • Situação II :

No posto de combustíveis que usualmente frequento, solicitei ao frentista um saquinho para acolher o lixo produzido em meu automóvel. Segundo ele, o posto sempre solicita este item, bem como canetas, chaveirinhos e folhinhas com o calendário 2019 a um fornecedor de Sorocaba, que teria se “embananado com muitas encomendas”, e que, em função disto, os itens teriam sua entrega adiada por alguns dias.

  • Situação III:

Eu mesmo encomendei pela internet um medicamento para nossa pet.  A entrega estavaprevista para o dia D, e a efetiva entrega se deu em D+3: felizmente a 2ª estimativa havia sido frustrada, pois nela o item estava nesta previsto para ser entregue em D+6.

Todos já sabem que no final de ano a entrega via e-commerce costumava atrasar, mas faz muito tempo que não vivia uma sequência de sinais que apontavam para um aquecimento da Economia. Para não estragar este texto com o achismo, vou me render às premissas do Método Delphi, e humildemente me rendo às previsões dos especialistas e militantes da arte de perceber e sintetizar tendências.

Segue uma coletânea da opinião de alguns formadores de opinião, já que uma parte da engrenagem econômica se move pelas expectativas dos agentes do mercado:

Como o cenário internacional é um dos drivers poderosos em uma economia globalizada, seguem as recentes opiniões do Nobel de Economia, Paul Krugman, em palestra em um evento de empresários em São Paulo, em meados de dezembro/2018. A guerra comercial não deve ser de toda ruim. Segundo ele, o episódio envolvendo a criação do USMCA (antigo Nafta), serve como referência para reduzir o pessimismo: o que se viu concretamente foi a criação de um pacto similar em relação ao antigo –no caso do Nafta. Ele crê que Donald Trump não quer, na verdade, causar uma disrupção no comércio com a China. Segundo ele, que quase dez anos depois da crise do subprime, a economia deve finalmente voltar ao normal, mas “algo ruim está à espreita e não é uma ameaça específica, como uma recessão no segundo trimestre de 2020 ou no fim de 2019”, declarou o professor da Universidade de Princeton, destacando ainda que os bancos centrais dos países desenvolvidos não possuem muito graus de liberdade para executar movimentos na política monetária.

Especificamente sobre a economia brasileira, ele aponta que o maior desafio é o problema fiscal de longo prazo.

Já o responsável pela Mesa de Renda variável e derivativos do BTG Pactual Digital, Jerson Zanlorenzi, sinaliza que há a expectativa de uma volta do fluxo do investidor estrangeiro, mas haveria ressalvas em relação às expectativas trazidas pela reforma da previdência. Ele também destacou a preocupação com a delicada situação fiscal, que tende a se deteriorar rapidamente caso não aconteça uma reformulação nas atuais política e sistema de governo. Segundo Jerson, caso o novo presidente se mostre rapidamente alinhado com a pauta da reforma da previdência ou com outras pautas de cortes fiscais e privatizações, a tendência é que o mercado brasileiro continue se valorizando. Por outro lado, se o Poder Executivo não se mostrar alinhado com essa temática ou encontrar maior resistência no Congresso Nacional, a tendência é que o mercado sofra mais, com possíveis desempenho negativo na bolsa e potencial altade juros.

Jerson também arriscou projeções para os micro-driverseconômico-financeiros: os juros no País se encontram em seu menor nível histórico, com a taxa Selic em 6,5% a.a. Porém, para o próximo ano, a expectativa do mercado é de uma alta nesse patamar. Ele se baseia no último relatório Focus, divulgado em 14/1/2018, mostra que o mercado espera uma taxa Selic no Brasil em 2019 na casa de 7,75% ao ano. Já o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador que mede a variação de preços do mercado para o consumidor, sendo considerado o indicador oficial da inflação, que neste ano deve fechar em 3,9% ao ano e a expectativa para o próximo ano é de desempenho semelhante, em 4.11%. Outro ponto comentado por ele e que deve chamar bastante atenção dos investidores no próximo ano, é a expectativa de queo mercado volte a ficar ativo com novos IPOs (Initial Public Offerings) e emissões de empresas, favorecidos pelo momento que as companhias tendem aapresentar melhores balanços, refinanciando suas dívidas e, desta maneira, se mostrando mais atrativas.

Em semelhante linha, Affonso Nina, CEO da Sonda Brasil, companhia chilena que tem no Brasil seu segundo maior mercado, a despeito dos tropeços de 2018, este foi um importante ano em termos de crescimento e, principalmente, de transformação.  “A empresa acredita que 2019 será um ano estável no Brasil com o otimismo gerado pelas nomeações feitas pelo governo”, afirmou Mark Colman, presidente da 3M no Brasil. De olho nas oportunidades que surgem no radar, ele garantiu que manterá os investimentos contínuos no país.

Interessante também conhecer as opiniões de um dirigente de empresas da área de tecnologia: Mauricio Cataneo, vice-presidente e CFO da Unisys para a América Latina, mostra otimismo: acredita-se que há de se tirar vantagem do razoável nível de desempenhos nos fundamentos econômicos, dado o potencial de desenvolvimento que temos em setores como o do agronegócio e a exportação de commodities e, também, nas demandas por melhorias como as estruturais. Ele acredita a tecnologia possa apoiar as empresas exportadoras a terem mais eficiência para chegar a novos mercados.

Em suma, creio pessoalmente que há de estarem atentos, mas que as empresas devam estar preparadas para “surfar” em quaisquer cenários, de ondas atraentes, de “marolas” ou nas vagas mais revoltas, aproveitando as oportunidades da melhor forma e contornando os dissabores com tenacidade e um saudável otimismo.  

Fonte: por prof. Marcos Fattibene, para CollBusiness News em 19.12.2018

2018-12-19T10:01:22+00:00 19/12/2018|Notícias|0 Comentários

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