Será que realmente temos ideia do real impacto da Inteligência Artificial na indústria de Crédito & Cobrança (Cr&Co)?

Para reflexão: as estruturas hierárquicas devem diferir bastante do paradigma tradicional, caminhando para modelos mais colaborativos, com quadros de funcionários mínimos…

Todos nós temos percebido que de todas as importantes tendências tecnológicas que impactam a indústria de Cr&Co, a chamada Inteligência Artificial (IA) vem sido bastante discutido e propagado. Assim como sua “aparentada” Blockchain, a IA abre frentes de enorme impacto na sociedade local e na economia global.

Fala-se em ruptura profunda e disseminada não só dos modelos de negócios, mas também do mercado de trabalho com mudanças substanciais no conjunto de habilidades necessárias para que os profissionais e empreendedores do setor prosperem neste novo contexto.

A Inteligência Artificial é a combinação de várias e diversas tecnologias que permitem que os sistemas, gadgets e máquinas capturem, “compreendam” e atuem – e aprendam por conta própria ou complementem as atividades humanas, o chamado “aprendizado de máquina”. Seria bastante conveniente que houvesse uma relação simbiótica entre o ser humano e as máquinas, com uma estratégia pré-estabelecida e ajustável, e e de um constante exercício de aprendizagem, por nós, humanos. Ainda somos nós que projetamos os sistemas de IA.

Em Setembro/2017 a consultoria McKinsey  realizou um estudo indicando que metade das tarefas realizadas por humanos hoje, pode ser totalmente automatizada até 2055. Outra pesquisa aponta que há uma chance de 50 por cento de que as máquinas poderão desempenhar cada atividade melhor e mais barato do que os trabalhadores humanos dentro de 45 anos. Vale a pena ler “When Will AI Be Better Than Humans at Everything? 352 AI Experts Answer” e tirar suas próprias conclusões.

Aliás, esse fenômeno já está acontecendo: nos EUA, advogados novatos já vivem apreciável dificuldade em conseguir um emprego. A IBM, por exemplo, conta com uma plataformaem que se pode obter aconselhamento legal (até agora para as coisas mais ou menos básicas) em poucos segundos, com uma precisão de 90% em comparação com uma precisão de 70% quando feito por seres humanos. Portanto, se você milita no ramo do Direito, fique atento. Teoricamente se precisará de 90% menos advogados no futuro…

Alguns pesquisadores preveem que a automação conduzida pela IA pode afetar 49% das atividades de trabalho e eliminar cerca de 5% dos empregos. Já, em contraposição,  um novo estudo do IDC/Salesforce aponta que até 2021, atividades de CRM habilitadas pela Inteligência Artificial poderiam aumentar as receitas de negócios globais em US$ 1,1 trilhão e criar 800 mil novos empregos novos – superando os postos e as receitas perdidos para a automação.

Enfrentam-se dois desenvolvimentos que não se harmonizam facilmente: enorme riqueza concentrada em poucas mãos e um número enorme de pessoas fora do mercado de trabalho. O que precisa e pode ser feito?

 

“Nada Nossa alma incapaz e pequenina,

Mais complacências que irrisão merece.

Se ninguém é tão bom quanto imagina,

Também não é tão mau como parece. ”

(Mario Quintana)

Creio que este poema também valha para os novos contextos…

 

Crédito de imagem: http://recalculandoarota.com.br/ser-e-nao-ser/”

As instituições financeiras estão se tornando repositórios inimagináveis de informação. A imensidão de dados gerados pela interação de clientes em seus canais digitais aumenta exponencialmente em volume e em complexidade, e extrapola a fronteira de serviços financeiros. “Big Data”, “Machine Learning” e alta capacidade computacional proporcionam uma compreensão mais clara das expectativas e intenções dos clientes, possibilitando que as experiências sejam aprimoradas e que se obtenha um melhor posicionamento competitivo, enquanto a adoção de Inteligência Artificial impulsiona a eficiência operacional.

A produção de produtos mais efetivos e a prestação de serviços mais ágeis e flexíveis, inovadores, oferecidos com tecnologia de ponta e a custos menores estão determinando a transformação das organizações e de suas competências atuais.  Estruturas hierárquicas caminham para modelos colaborativos, com quadros de funcionários bastante enxutos, aliados a utilização de recursos e talentos de fora da estrutura corporativa – a exemplo do que vem acontecendo na recente parceria entre bancos e fintechs.

As instituições financeiras estão extrapolando o escopo de atuação de seus laboratórios de inovação, se organizar em grupos de trabalho e consórcios, onde existe operabilidade cruzada, atuando em “novos ecossistemas”: assuntos a se considerarem.

Talvez seja melhor adotar um viés positivo, em que no futuro predominem como alvo o uso da tecnologia para que o trabalho das pessoas seja mais rico e desafiador, dentro e fora das empresas, organizações e entidades. Entretanto, a realidade é que ninguém sabe, ou mesmo tem ideia do que vem por aí.

Fonte:  Prof. Marco Fattibene, mestre em engenharia de produção,   para CollBusiness News, edição out.2017.

2018-05-30T10:07:48-03:0024/11/2017|Crédito&Cobrança|Nenhum Comentário
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