Stanford lança instituto para debater valores humanos e ética na inteligência artificial

Universidade norte-americana quer colocar os humanos e a ética no centro da expansão da tecnologia
ESTUDANTES DE STANFORD AMY JIN (CAMISETA LARANJA) E STEPHANIE TENA-MEZA (CAMISETA PRETA) COM OS CODIRETORES DO HAI JOHN ETCHEMENDY E FEI-FEI LI (FOTO: DIVULGAÇÃO)

No coração do Vale do Silício, a Universidade de Stanford costuma indicar os caminhos para a tecnologia. Neste mês, a universidade lançou o Instituto Stanford de Inteligência Artificial Centrada no Homem (HAI) — grupo de pesquisa que quer se tornar um centro interdisciplinar para formuladores de políticas, pesquisadores e estudantes que elaboram as tecnologias do futuro. A ideia é colocar os humanos e a ética no centro da expansão da inteligência artificial.

“A inteligência artificial tem o potencial de nos ajudar a alcançar nossos sonhos compartilhados de um futuro melhor para toda humanidade, mas irá trazer com ela desafios e oportunidades que não podemos prever”, afirma o instituto em sua apresentação.

A expectativa é que esse centro possa dar uma visão mais ampla à próxima geração de pesquisas dentro do campo da IA. De quebra, os pesquisadores esperam auxiliar políticos e figuras públicas a tomar decisões mais sofisticadas quando analisarem desafios sociais e mudanças com alta grau de impacto na sociedade.

Uma voz que defende diversidade nas equipes que criam inteligência artificial, Fei-Fei Li é uma das diretoras do novo instituto. “Eu não poderia imaginar que a disciplina que eu estava tão interessada, uma década e meia depois, se tornaria uma das forças motrizes das mudanças que a humanidade sofrerá”, diz ela ao The Washington Post. “Essa percepção se tornou um tremendo senso de responsabilidade.”

O instituto de Stanford não é o primeiro esforço acadêmico do tipo. Com previsão de arrecadar mais de US$ 1 bilhão, porém, ele é, muito provavelmente, o plano mais ambicioso até agora. Seu conselho consultivo, por exemplo, é formado por titãs do Vale do Silício. Fazem parte dele o ex-CEO do Google, Eric Schmidt, o cofundador do LinkedIn, Reid Hoffman e o cofundador do Yahoo, Jerry Yang. Entre os presentes no evento de apresentação do instituto estiveram Bill Gates, cofundador e ex-CEO da Microsoft, e Demis Hassabis, da Deepmind.

O dinheiro arrecado será destinado a bolsas de pesquisa e eventos acadêmicos. Além disso, parte dos recursos será destinada à recuperação de talentos que deixaram a academia para entrada no mercado de trabalho. O instituto ocupa um espaço de aproximadamente 20 mil metros quadrados no centro do campus de Stanford.

Debates no instituto

Uma tecnologia que tem transformado (e criado) negócios, movimentando US$ 24 bilhões e com potencial para afetar 70% das empresas, a IA tem avançado rapidamente nos últimos anos. Com os avanços, vem o debate sobre o futuro da humanidade e sua relação com a tecnologia tem ganhado corpo. As conversas vão da possibilidade de a IA ser uma ameaça até a preocupação pública com a diminuição do mercado de trabalho para humanos.

Elon Musk, CEO e fundador da Tesla, já emitiu opiniões bem negativas sobre a tecnologia. “Com inteligência artificial, nós estamos invocando um demônio”, afirmou Musk. O físico inglês Stephen Hawking também tocou no assunto algumas vezes antes de falecer. “O impacto a curto prazo da IA vai depender de quem a controla; o de longo prazo dependerá se vamos conseguir controlar de alguma maneira”, disse uma vez.

Além disso, pesquisadores mostram frequentemente como a IA tende a reproduzir e amplificar vieses sociais de forma perigosa. Alguns sistemas de mobilidade, por exemplo, têm dificuldade para reconhecer rostos de pessoas negras.

Assista abaixo a um vídeo de apresentação do instituto de Stanford.

2019-03-31T21:07:38-03:0029/03/2019|Vale do Silício|Nenhum Comentário
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