Uma visão “direcionada” do crédito!

Frente ao novo cenário político de 2019 e a formação da equipe de Bolsonaro, voltamos a discussões dos empréstimos do BNDES. 

O que já conhecemos da “caixa preta” a ser aberta pela futura gestão?

Foto: crédito Leo Pinheiro/Valor

Diria que nosso atual momento político e econômico, é no mínimo excitante!

Aos poucos, mais nomes integram a futura equipe do governo Bolsonaro. Foi anunciado o novo presidente do BNDES, Joaquim Levy, e já divide discursos jornalistas que ponderam que o novo prometido por Bolsonaro, não é tão novo. Críticas a Levy por ter integrado os governos Lula e Dilma, e ainda mais, de ter feito parte do governo do Rio na gestão Cabral.

Enfim, minha opinião é que seu nome é mais um super acerto de nosso Presidente. Profissional competente, experiente, que foi o “Boi de Piranha” do Governo Dilma, que já faz as malas e está de mudança pronta de Washington para o Rio (mudança difícil de encarar no meu ponto de vista). Continuo a cada dia com uma esperança que achei ter perdido, uma esperança da construção de um Brasil que pode dar certo.

Mas voltando ao  BDNES e da promessa da abertura da “caixa preta” do banco, o que já conhecíamos e o que poderíamos ter previsto.

É prática do mercado de gestão de risco prever resultados. Não imagina-se, hoje, que as empresas modernas façam a gestão olhando no retrovisor mas sim olhando para o futuro.

E nesta visã,o o futuro pode muito bem ser previsto com base no comportamento atual e passado. Carteiras de crédito podem ser previstas a partir do entendimento de como se comportam no dia a dia.

Fato então que mostra o quanto a situação de empréstimos direcionados a partir do BNDES já mostravam um comportamento fora da curva:


Fonte: Risk Trends GoOn/BACEN – Recursos Direcionados – PJ

Percebemos nos gráficos acima, que de março/07 até março/16, a carteira de crédito direcionado – PJ, cresceu 6 vezes, saindo de R$ 118 bi, para R$ 608 bi.

Olhando a relação Crédito X PIB, atingimos em dez/15 um percentual que representava 53,7%.

No gráfico acima podemos verificar que a linha de crédito que mais influenciou  esta relação ultrapassasse 50% foram os recursos direcionados e com a influência direta do segmento BNDES.

Podemos perceber ainda, que o crédito Recursos Livres, ou melhor, o crédito que mais conhecemos e ouvimos no dia a dia, composto dos empréstimos, do cartão de crédito e financiamentos de veículos; praticamente andou de lado no período.

Enquanto países desenvolvidos apresentam a relação Crédito X PIB com percentuais entre 90 a 110%, o Brasil ainda engatinha e fechou abril de 2017 com este percentual em queda de 48,4%.

Importante dizer o tamanho das divulgações que tomaram a mídia no momento, quando havíamos superado o percentual de 50%, como se o crédito no Brasil viesse apresentando o crescimento acelerado apoiado por nossos governos chamados populares. O crescimento do crédito vinha se mostrando fora dos padrões sim,  principalmente afetado pelos empréstimos a empresas direcionados a partir do BNDES.

Podemos, ainda, perceber que ao começo de 2016, já com o processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff, a carteira de crédito do BNDES começou a mostrar queda, já influenciada pela redução dos volumes de novas concessões de crédito.

Um dos fatores que geralmente impactam as mudanças de direção das concessões de crédito é a inadimplência. Ocorre que se o BNDES utilizou o crescimento da inadimplência para esta decisão, isto ocorreu, digamos, de forma muito lenta.

Percebemos no gráfico abaixo que a inadimplência medida pelo indicador over 90, mostra que ao começo do ano de 2015 a inadimplência começa a dar sinais de crescimento atingindo o pico em Set/16.

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Carteiras com valores consideráveis tem, sem dúvida, que serem estudadas com cuidado; muitas vezes poucos contratos acabam influenciando o todo de forma diferente que em carteiras de PF. Independente disso, é fato que a inadimplência deste segmento mostrou uma mudança considerável e que vale a preocupação.

Questões políticas a parte, sem dúvida ,o caso J&S movimentou esta carteira, a qual agora abre uma nova fase com chegada de Levy.

É fato que o crédito é um instrumento que permite potencializar o crescimento de qualquer sistema; é fato também que não cansamos de falar que a educação financeira é um dos aspectos que dificulta a elevação da maturidade das carteiras de crédito. Sendo recursos livre ou direcionados, para pessoas físicas ou jurídicas, ainda é grande o caminho para que o Brasil tenha carteiras de crédito saudáveis e com a devida consciência financeira.

Que neste novo momento o Banco Nacional de Desenvolvimento possa contribuir efetivamente para o desenvolvimento de empresas sérias e possa permitir que empresas cresçam e gerem empregos e paguem impostos.

O BNDES tem, sem dúvida, um papel fundamental na construção de um novo Brasil; um Brasil sustentável, onde o crédito seja um fator de alavancagem do desenvolvimento e não um produto restrito e com direções políticas.

E você, qual seu papel no ano de 2019?

O meu, já decidi, será o de participar ativamente do cenário político, elogiando quando for o fato, criticando quando for o fato. Acima de tudo,espero em 2019 trabalhar muito. Fazer a parte que a mim cabe.

Acreditar!! ! Afinal, o que é o crédito se não aCREDITAR?

Eduardo Tambellini

Fonte: publicado em 12.11.2018 no blog “Tabelando com Tambellini“.  Leia a integra do artigo no blog.

2018-11-13T16:26:27+00:0013/11/2018|Crédito&Cobrança|Nenhum Comentário
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